Menu

A Bruxa

Terror que ganhou fama no boca a boca e chegou como um soco no estômago do público mainstream. Proposto como um terror psicológico, todo mundo que vai ao cinema deve ir se perguntando se é só um horror psicológico mesmo ou se tem algo sobrenatural, e sim já vou dar esse spoiler logo de cara: EXISTE SIM UM EVENTO SOBRENATURAL NO FILME! Pronto, continuemos… O que falar sobre um filme que vem sendo um sucesso estrondoroso de crítica, que está lotando as salas de cinema e que divide o público entre o terror total, respeito, apatia e o escárnio? A resenha será explicando a reação do público através desses 4 sentimentos.

O filme conta a história de uma família que é banida da comunidade onde vive e acaba tendo que se abrigar nas margens de uma floresta. O drama começa quando o filho recém-nascido desaparece desestabilizando toda a família. O descontrole emocional da mãe, a escassez e miséria pesando nas costas do pai e a criação rígida dos filhos, tudo isso funciona como uma prensa forçando a família rumo ao abismo.

ESCÁRNIO E APATIA. Não foram poucas as pessoas que deixaram a sala antes do filme terminar, ou que ficaram de risinhos e gracinhas. A Bruxa tem uma proposta completamente diferente do que o grande público está acostumado e como o hype do filme tem sido muito grande, ele arrastou para as salas todo tipo de pessoas que, em sua maioria, não estão preparadas para seu teor. O longa é sim um dos filmes de terror mais tensos já feitos, mas não espere nada do que você já conhece como terror. Sabe aquela história que os clichês são inevitáveis e que sempre é necessário recorrer a eles de uma forma ou de outra? Isso não existe em A Bruxa, o filme não tem intenção nenhuma de te assustar, nenhuma mesmo, em momento algum do filme é possível destacar alguma cena que dê medo. O “grande público” não está preparado para terror assim – basta lembrar de O Nevoeiro, filme que todo mundo odeia porque o final é simplesmente forte demais – ou porque não entende ou porque simplesmente não quer assimilar o que está acontecendo, a morte de inocentes por eventos incontroláveis, ou o simples sucumbir perante a loucura não é tolerado pelo grande público, que prefere rir ou fazer gracinhas a assumir que aquilo é doentio e muito mais pesado que um fantasma arrastando correntes no porão. Todo o longa recorre à uma atmosfera caótica e com narrativa bem lenta, e o medo em questão vem de todo esse clima diabólico, dessa atmosfera “errada”, da singela sensação de que aquilo não deveria estar sendo exibido.

RESPEITO. O longa é realmente fantástico, justamente porque consegue criar a sua própria identidade sem recorrer aos clichês clássicos do terror. Sem cenas de sustos, o filme se prende a uma fotografia cinzenta e carregada, com um clima sempre nublado num lugar onde o Sol desistiu de brilhar. A trilha sonora é de arrepiar, baseada em ruídos e rangidos (típica dos filmes de terror de outrora) e onde as raras melodias são estranhas e assustadoras. Apesar do ritmo lento da narrativa, o filme é curto e isso passa desapercebido pelas intensas cenas de horror – e eu não disse de sustos – e pelo ritmo frenético que se desencadeia no desfecho. Uma atenção mais que especial deve ser dada aos atores: os pais e mais 4 crianças dão um show de intepretação, encenando tomadas fortíssimas, que incluem agressões, chingamentos e  lágrimas. O delírio do pequeno Caleb (Harvey Scrimshaw), os conflitos morais encenados pela carismática Thomasin (Anya Taylor-Joy) e as bizarras cantorias folclóricas dos gêmeos com seu bode de estimação, te faz ficar pensando a todo momento como era o clima durante as filmagens.

TERROR TOTAL. Sim, o filme não traz sustos, mas é pesado e doentio num ponto de vista diabólico. A presença da bruxa é maçante em cima da família (mesmo que a criatura mal apareça) e o clima que se arrasta na tela é o do mais puro e absoluto mal, livre e sem controle. O terror sobrenatural existe, mas o terror psicológico é um dos grandes destaques do filme, onde o descontrole da família perante a situação faz você se perguntar a todo momento quem é o verdadeiro vilão na história. Somando-se a isso, ainda vemos algumas das cenas mais perturbadoras do cinema: um banho estranho, um corvo, o ritual de exorcismo mais sincero que já se teve notícias, um “Coven”…

A Bruxa prometeu e cumpriu, o filme realmente faz jus ao que era esperado a respeito de um filme que vinha fazendo as pessoas passarem mal nas exibições pelo mundo afora. Enganou muita gente que esperava algo assustador e encontrou algo bem mais tenso do que era de se imaginar, A Bruxa abre um novo nicho em relação a longas de horror e espero que o sucesso de crítica (e de bilheteria sim!) mantenha esse nicho aberto por um longo tempo… e haja sanidade para aguentar mais obras assim!

 

Título Original: The Witch, A New-England Folktale

Flecha-4_5

Direção: Robert Eggers

Roteiro: Robert Eggers

Duração: 90min

Ano: 2015

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

Parceiros

Video em Destaque

Nintendo Switch