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A Colina Escarlate

Será o retorno dos filmes de terror onde o foco não são os sustos e sim o mistério e uma boa ambientação? Ao longo dos anos o cinema passa por tendências que vão moldando as suas obras para melhor se adequarem aos espectadores do momento. No ramo do terror – tão cheio de vertentes e de inúmeros fãs – a leva atual é a de dar sustos, criar cenas assustadoras para arrepiar o público, geralmente em detrimento de uma boa história. A algum tempo foi-se a era dos filmes em que o terror era dosado pela ambientação, no qual enredos obscuros e misteriosos se desenrolavam na tela. É esse o esperado com A Colina Escarlate.

Guillermo DeCrimsonPeak1l Toro é o tipo de cineasta que atrai fãs pela sua simples participação, afinal obras como Labirinto do Fauno, A Espinha do Diabo, Hellboy, Círculo de Fogo, entre outras acabaram se tornando icônicas, fazendo de Del Toro um dos mestres do gótico no cinema moderno. A Colina Escarlate casa perfeitamente com o estilo de Del Toro e tinha tudo para coroar os filmes de horror gótico… mas infelizmente, não é bem assim.

O enredo gira em torno de Edith Cushing (Mia Wasikowska) que acredita em fantasmas e sonha em se tornar uma escritora. Fã dos livros e aparentemente imune aos seus pretendentes, tem sua vida transformada quando encontra Thomas Sharpe (Tom Hiddleston) – um carismático empreendedor, que veio até os EUA em busca de investimentos – por quem se apaixona. Casados eles se mudam para a mansão dos Sharpe, Aller
dale Hall, a Colina Escarlate – que carrega a fama devida a argila vermelha encontrada no local – que também é morada de Lucille Sharpe (Jessica Chastain), a enigmática e rabugenta irmã de Thomas.

O ponto alto do filme é sem sombra de dúvidas a fantástica atmosfera. Se tem algo que Del Toro sempre cumpre é uma ambientação digna e monstros característicos, onde costuma substituir os efeitos especiais pela maquiagem. A mansão dos Sharpe foi toda construída exclusivamente para as filmagens e é impecável, toda a atmosfera de fábula do filme é agraciada com a fantástica mansão: seus variados cômodos, cores e detalhes e a sensação de passagem inexorável do tempo. o qual deixa a casa em decadência com os pisos rachados, buracos expostos ao tempo no teto e a própria argila escarlate que parece onipresente, deixando a mansão a beira de afundar – uma clara homenagem à um dos mais icônicos contos góticos de todos os tempos A Queda da Casa de Usher, de Edgar Allan Poe. A mansão e os tons de cores cinzentos e sombrios, contrastando com os vestidos espalhafatosos de Edith fazem da fotografia sem dúvidas crimsonpeak02o ponto alto da produção. Alia-se a isso uma boa trilha sonora que completa
a ambientação e temos até aí um bom filme de terror.

Os fantasmas por sua vez são um caso a parte, algumas aparições são toscas e mal feitas, outras por outro lado lembram algumas grandes criações de Del Toro. Filmado com um orçamento muito baixo para os padrões atuais – provavelmente todo gasto na fantástica mansão – parece que para os fantasmas o acabamento foi feito às pressas e é perceptível um certo desleixe nesses seres.

Nota-se que eu falei da casa separadamente dos fantasmas, isso foi proposital por dois motivos: O primeiro é que o fantástico cenário do filme deve ser elogiado e não merece ser manchado. O segundo ponto é que é exatamente essa a sensação passada em A Colina Escarlate: de que não se trata de um filme de fantasmas, eles são meros coadjuvantes na história e o filme não decide muito bem sua proposta.

Ao decorrer do longa, o que vemos é uma história arrastada e morna que não empolga ou cativa em momento algum, se por um lado você se encanta com os belos detalhes e objetos do cenário, por outro você boceja de tédio pelo fraco desenrolar da trama. Todo o mistério característico em obras do tipo, é deixado de ladoCrimson-Peak uma vez que a participação do sobrenatural é meramente visual e quase não tem nenhuma aplicação no enredo. Enredo esse que em contrapartida aposta num drama, tipicamente gótico é verdade e repleto de sangue, porém apático e sem emoção. Os personagens não conquistam: Edith é dissociada da imagem aspirante à escritora, de seu livro ou sua vontade de publicá-lo e fica para lá e para cá investigando os “mistérios” dos Sharpe; Loki que a princípio parecia artimanhoso e dissimulado, dá lugar à um personagem bobo e sem graça – no qual sua maior ambição era criar uma máquina de extrair argila; e por fim Lucille que apesar de interpretar bem sua loucura, é manchada pela trama e enredo forçado.

Enfim, A Colina Escarlate é um filme horrível? Não, é apenas um filme fraco, com uma ambientação e fotografia maravilhosa, mas com um enredo chato e previsível, que não se decidiu sobre ser um filme de terror sobrenatural ou um simples romance gótico e fica em cima do muro tempo demais, arrancando bocejos da plateia!

 

Título Original: Crimson Peak

Ano: 2015

Direção: Guillermo Del Toro

Roteiro: Guillermo Del Toro, Matthew Robbins

Duração: 119min

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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