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A Epidemia

Os mortos vivos estão no auge, e vale a pena relembrar de um dos mais legais filmes do gênero nos últimos anos. Depois que os zumbis chegaram ao grande publico com Madrugada dos Mortos, e faturaram as bilheterias com Zumbilândia, The Walking Dead se despontou como uma das séries de mais sucesso no momento, e centenas de produtos – jogos de tabuleiro, digitais, etc… – são os sinais definitivos de que os portões do inferno se abriram para a caminhada dos mortos. È nesse nicho que se encontra A Epidemia – refilmagem do clássico Exército do Extermínio (The Crazies,1973), de Romero – que traz o terror e os sustos de um bom filme de zumbi em grande estilo, só que sem usar zumbis…

David Dutton (Timothy Olyphant) é o xerife de uma cidadezinha rural no interior dos EUA, que junto com seu parceiro Russel Clank (Joe Anderson), têm a missão de fazer a paz e harmonia reinar no local. Tudo isso começa a mudar, quando um morador invade uma partida de Beisebol portando uma arma e tem de ser abatido pelo xerife. Isso é só o primeiro sinal de uma epidemia que começa a tomar conta da cidade. Em poucos dias a doença se espalha, transformando os pacatos e responsáveis cidadãos em assassinos lunáticos. O exército chega no local e começa implantar medidas de contenção da doença – nenhum um pouco pacíficas  – e depois deixa o lugar já tomado pelo caos. Agora cabe a David Dutton, sua esposa Juddy Dutton (Radha Mitchell), Russel Clank e Becca Darling (Danielle Panabaker) sobreviverem e escaparem da região contaminada.

Tudo parece se encaixa2987_1r perfeitamente criando uma atmosfera perfeita para o filme. O Condado de Ogden Marsh é aquele tipo de cenário perfeito, em que tudo dá errado e o apocalipse chega mais cedo. Uma cidadezinha agrícola, em que o tempo corre devagar e calmo, as pessoas levam suas rotinas tranquilamente um dia após o outro, e quando a loucura se espalha como uma epidemia, o tempo parece parar – como mostra a cena em que o xerife David Dutton está parado na principal avenida da cidade, sem nenhum sinal de vida a vista, numa aura de calmaria tão hostil, que se torna certa a presença de vários perigos ocultos.

O choque de atmosferas, ocorre quando a calmaria é substituída pela velocidade, nas cenas violentas protagonizadas pela invasão do exército, contrastando ao máximo com a rotina da cidade. Nesse emaranhado de sensações, é que os atores desenvolvem seus personagens – destaque para Timothy Olyphant, que se mostra (mais uma vez) um exímio homem da lei, levantando as suspeitas que ele já foi um cowboy na outra encarnação.

O clima rural do cenário é de dar calafrios e a imensidão dos campos acaba causando um certo desconforto, principalmente ao encarar celeiros isolados e longínquos, e gigantescas máquinas agrícolas que podem ganhar vida a qualquer momento e avançar para cima de você num piscar de olhos.

O posicionamento afastado da câmera, numa perspectiva mais horizontal cria cenários amplos, enaltecendo o clima de solidão vivido The Crazies 2010 2pelos personagens e ajuda a ambientar o terror, pois cenários maiores servem como convite para coisas ruins – é normal tomar sustos, quando você está focalizando o personagem principal, e não repara que lá ao fundo no canto superior da tela, algo está à espreita.

Os sustos são uma constante e ao contrário dos zumbis tradicionais, os loucos de A Epidemia pensam e agem como um psicopata qualquer, montando armadilhas, ou pegando suas vítimas de surpresa. A visão de Breck Eisner para o terror do filme é excelente, e cria cenas maravilhosas, seja usando a amplidão do cenário: para filmar os sinistros campos isolados, ou o avião afundado no pântano; ou apelando para cenas claustrofóbicas: como a  cena do lava jato, ou a cena do louco e os prisioneiros nas macas.

A Epidemia se mantem fiel à coluna dorsal do gênero, não de zumbis, mas se fixando no seu principal contexto: colapso da sociedade e sobrevivência, que além de um bom filme de terror, é mais uma crítica Romeriana ao sistema!

 

 

Título Original: The Crazies

Ano: 2010

Direção: Breck Eisner

Roteiro: George Romero (Filme de 1973), Scott Kosar, Ray Wright

Duração: 101min

 

 

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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