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A Estrada

E se no fim do mundo, Deus não voltasse para nos salvar? E se ficássemos abandonados a nossa própria mercê, num mundo cruel, impiedoso, onde nossos semelhantes fossem nossos piores inimigos – bom, com isso já estaríamos acostumados – e se fossemos privados até mesmo da luz e do calor do sol? Condenados a vagar por essa esterilidade à espera do abraço inexorável da morte? É nesse cenário pós-apocalíptico que Cormac McCarthy conduz sua história.

Não se sabe o que aconteceu com o mundo – provavelmente alguma conseqüência da Terceira Guerra Mundial – mas não é esse o foco do livro, não faz parte da trama o como ou o porquê do mundo ter sido destruído, o cenário cinzento, árido e escasso em recursos serve apenas como plano de fundo para a sobrevivência dos dois protagonistas e é bem isso que o livro é: um diário de dois sobreviventes.

O escritor conta a história de um pai e seu filho que partem numa jornada rumo ao litoral. O objetivo? Simplesmente vagar pelo mundo fugindo da morte. Não é uma aventura de ação, o livro segue numa atmosfera densa, cheia de tensão no melhor estilo “abaixe-se e não faça nenhum ruído”. Como se não bastasse à procura incessante por alimentos e água, os sobreviventes ainda tem que se esconder dos eventuais assassinos que vagam por aí, afinal de contas a falta de alimento levou as pessoas a praticarem canibalismo. Marca registrada de Cormac, o livro contém muitas “cenas” fortes, dignas de causar asco e repugnância – destaque para a casa onde pessoas vivas eram mantidas confinadas para abate.

O ponto alto do livro é a excelente narrativa de Cormac McCarthy, regada de realismo e maravilhosamente bem detalhada, ela conta minuciosamente o dia a dia dos protagonistas, desde quando acordam até o preparo dos alimentos, passando pela higiene e a busca incessante de objetos úteis no cenário devastado. Mesmo em um mundo cinzento e apático, Cormac não deixa passar nada: As nuvens que cobrem o céu e a muito esconderam o sol, as cinzas que caem eternamente, o frio, a deterioração da natureza, chuvas constantes e a possível aniquilação da vida animal. O fator psicológico também não foi deixado de lado, a história é cheia de lembranças passadas  e divagações por parte do pai do garoto, demonstrando toda a sua desesperança em viver e sua teimosia em aceitar a morte, lutando com todas as forças para manter seu filho vivo. O lado do menino também não é esquecido e mostra como um garoto jovem demais para conhecer o mundo como ele era, se adapta a única realidade que tem conhecimento.

A Estrada não é uma narrativa sobre a sobrevivência, sobre a relação de amor entre pai e filho, e uma reflexão sobre o fim do mundo e a morte da humanidade.

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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