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A Roda do tempo, a maior saga de fantasia desde O Senhor Dos Anéis

Será que é justo colocá-la lado a lado a grande obra de Tolkien? Quando Tolkien cravou os alicerces da fantasia com sua Terra Media, ele abriu o caminho para todo um movimento literário onde centenas de escritores passaram a seguir seus passos, a partir de então, a literatura fantástica se tornou um dos mais prolíferos gêneros da literatura.

Desde então várias criações disputam pelo seu quinhão nesse universo concorrido, algumas imortalizadas, outras obsoletas ou que caíram no esquecimento. A Roda do Tempo não só é uma obra de primeiro escalão, como é considerado por muitos a obra que mais se aproxima de Tolkien.

 

Porque sempre comparar com Tolkien?

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Tolkien foi ninguém mais ninguém menos que o criador do gênero fantástico como o conhecemos – vale ressaltar que quando falamos em um “criador”, não estamos excluindo a possibilidade de terem existido toda uma legião de escritores que começaram o movimento antes dele (como Robert E. Howard, o criador de Conan), mas foi esse criador que popularizou o gênero e estabeleceu os padrões para o futuro – dessa forma é praticamente impossível dissociar o gênero fantástico dele: elfos, anões, magos barbados, memoryoflightguerreiros, reinos encantados entre outras coisas, foram todas utilizadas por Tolkien e hoje compõe os ingredientes de qualquer obra fantástica. Tudo bem que com a evolução do estilo, diversas sagas tendem a se distanciar e se tornarem o mais originais possíveis (sem nunca deixarem de beber da fonte de Tolkien), mas muitas outras ainda se assemelham muito ao estilo do escritor.

A Roda do Tempo é uma dessas obras influenciadas diretamente por Tolkien. Nela encontramos um grupo de aventureiros (uma espécie de Sociedade do Anel) que partem em uma aventura para salvar o mundo de um poder maligno. Isso mesmo, nada das tramas 100% políticas de Game Of Thrones, ou das aventuras de The Witcher, aqui o mal é o mal ancestral, da destruição e do caos. Assim como nas obras de Tolkien A Roda do Tempo traz essa proposta de posicionar seus personagens no preto e no branco, dividindo o bem do mal de forma bem nítida. A semelhança com a Sociedade do Anel (saindo de vilarejos em uma jornada contra o mal) é proposital, o próprio Robert Jordan afirmou que fez o primeiro livro (O Olho do Mundo) o mais parecido possível com O Senhor dos Anéis, para colocar seus fãs num território conhecido. A semelhança se estende a outros aspectos, como o próprio Tenebroso (com uma influência que remete a Sauron e Morgoth) passando pelos Trollocs (os orcs de Jordan) e os Myrddraal (seus Nazgûl).

 

 

A SAGA

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Na Era das Lendas, a paz e a prosperidade reinavam quando um experimento dos Aes Sedai (os magos de A Roda do Tempo) fracassou e acabou libertando o Tenebroso no mundo, aprisionado desde a criação.  A influência do Tenebroso, acabou trazendo para o mundo todos os males, e a época de paz ficou para trás. Eis que Lews Therin Telamon O Dragão, o mais poderoso Aes Sedai conhecido consegue junto de seus companheiros a façanha de retrancar o Tenebroso em sua prisão, mas não sem um preço: a parte masculina da Fonte Verdadeira (energia de onde os Aes Sedai canalizam) ficou maculada e partir de então todo homem capaz de canalizar acaba sucumbindo perante a loucura – a partir de então os Aes Sedai passam a ser representados apenas pelas mulheres e os homens capazes de canalizar são caçados.

Com a Fonte Verdadeira masculina (Saidin) maculada, o mundo caiu numa época apocalíptica: A Ruptura, tal evento moldou e fragmentou o mundo como conhecemos. A época das lendas passou, as histórias foram esquecidas e o Tenebroso começa a ganhar forças e está prestes a escapar mais uma vez… As profecias pregam que quando ele se libertar, o Dragão Renascido surgirá mais uma vez e o enfrentará de igual para igual, trazendo mais guerras e uma nova Ruptura, fazendo a Roda girar num ciclo eterno. O plano do Tenebroso é se libertar, destruir a Roda e propagar sua maldade eternamente!!!31ULybtb-YL._UX250_

A saga começa no vilarejo de Emmond’s Field, quando uma Aes Sedai: Moraine e seu guardião Lan, chegam no vilarejo em busca de alguém que eles acreditam ser o possível Dragão Renascido… Rand, Perrin, Matrim, Egwene e Nynaeve, meros habitantes do pacato vilarejo terão suas vidas mudadas para sempre.

A Roda do Tempo é composta por nada mais e nada menos que 14 LIVROS, isso mesmo: QUARTORZE. E ao contrário de algumas séries onde os livros tem histórias fechadas, aqui os 14 livros compreendem o enredo completo – ou quando apresentam desfecho ele é apenas parcial.O primeiro livro, O Olho do Mundo, foi lançado em 1990 e o último, A Memory Of Light (ainda sem tradução), em 2013. A série é tão grande, que algo que todos tememos acontecer com Game Of Thrones ou O Nome do Vento, aconteceu com ela: o autor morreu durante o processo!!! O físico Robert Jordan (nome verdadeiro James Oliver Rigney Jr.) começou a escrever o primeiro livro em 1984, do que seria uma das maiores obras de fantasias de todos os tempos, mas acabou falecendo em 2007 após lançar 11 livros, para terminar seu trabalho foi escolhido o escritor Brandon Sanderson (de Mistborn) que lançou os 3 volumes finais (baseado em notas deixadas por Robert Jordan).

 

A QUESTÃO É, VALE A PENA COMEÇAR UMA SÉRIE DE 14 LIVROS?

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A saga é premiada e cultuada, estando diversas vezes na lista dos mais vendidos do The New York Times, constando com mais de 80 milhões de cópias vendidas ela conta com uma base sólida de fãs pelo mundo todo.

Só por isso já vale a pena dar uma conferida no material, afinal de contas num ramo disputado como é a fantasia, chegar a esse patamar é algo digno de nota. Cada livro é um grande tomo, com livros contendo mais de 300 ou 500 páginas, verdadeiros camalhaços

Apesar do tamanho a leitura é fluída e agradável, a narrativa de Robert Jordan é tranquila de se ler e na medida do possível tenta não enrolar muito. É lógico que numa obra contendo 14 livros terão volumes mais ou menos chatos do que outros, mas no contexto geral os romances se desenvolvem bem e dependendo do seu entusiasmo é possível terminar cada livro em poucos dias.

Apesar da excelente escrita, vale ressaltar que o universo criado por Robert Jordan é rico em detalhes e seus personagens são bem criados, o que faz com muito tempo seja despendido no desenvolvimento dos mesmos ao longo da trama.

Outra grande vantagem da série, é que ela já foi terminada. Não se corre o risco se ficarmos órfãos de uma história andamento – como tantas outras no momento, O Nome do Vento que o diga.

 

MUNDO, PERSONAGENS E SISTEMA DE MAGIA

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O conceito da Roda do Tempo é semelhante ao de religiões cíclicas, que acreditam que novas eras transpõe eras passadas num grande e eterno ciclo. O mesmo ocorre com o mundo de Robert Jordan, onde a Roda do Tempo gira até o surgimento do Tenebroso e seu encarceramento, desencadeando uma nova ruptura e reiniciando o ciclo. Dessa forma o destino de todos os personagens está amarrado a trama que é tecida pela Roda.

São muitos os personagens que passam pelas suas milhares de páginas, portanto impossível falar de todos eles aqui. Portanto vamos nos atea2b6f5f478f666fd78da17fcd26a8483r ao grupo principal, a “Sociedade do Anel” de Robert Jordan: Os personagens principais são: Rand Al’ Thor, o possível Dragão Renascido, teria a missão de liderar a batalha contra o Tenebroso.  Perrin Aybara era o ferreiro, e parece apresentar uma estranha afinidade com os lobos… e Matrim Cauthon, por sua vez é um típico fanfarrão sem um lugar exato na trama, atrapalhado e amaldiçoado… são os três Ta’Veren – pessoas que alteram a trama tecida pela Roda, criando suas próprias tramas e arrastando todo o padrão ao redor deles – da trama, e são as grandes apostas para a salvação do mundo. Ao lado deles se encontram Egwene Al’ Vere, um dos amores de Rand e Nynaeve Al’Meara a Sabedoria (algo parecido com uma curandeira) da vila, ambas candidatas a canalizar e possíveis futuras Aes Sedai. E para completar o grupo: Moraine Damodred e Lan. Juntos eles partem em uma jornada, em busca de seu lugar no mundo e na batalha contra o Tenebroso.

Aqui diferente da obra de Tolkien, que se passa num continente selvagem, com poucos reinos humanos ou élficos, o mundo de Robert Jordan é muito bem colonizado, regiões selvagens são poucas e os grandes reinos vivem em conflito. O choque cultural é bem evidente e bem trabalhado em A Roda do Tempo, e cada lugar visitado pelos nossos aventureiros é dotado de uma população com pontos de vista e cultura diferente: Andor o maior e mais importante reino dominado por sua Rainha, Tar Valon a cidade das Aes Sedai, e destaque para os Tuatha’na: nômades pacíficos que vagam pelo mundo em busca de uma “Canção” perdida e para os Aiel: povo guerreiro, qLord of Chaos ebook wraparoundue vivem isolados no deserto, e só saem para o continente em épocas de grandes acontecimentos.

O sistema de magia de A Roda do Tempo é bem trabalhado, e se na canalização da fonte de poder que faz a Roda do Mundo girar: as mulheres canalizam o Saidar e os homens o Saidin – como já foi dito o Saidin é maculado, os homens capazes de canalizar tendem a loucura. Através da canalização dessas fontes de energia, as magias podem ser conjuradas.

 

SE VOCÊ GOSTA DE LITERATURA FANTÁSTICA, PODE ARRISCAR!

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Não é exagero então considerar sim A Roda do Tempo como a maior obra de fantasia desde O Senhor dos Anéis, justiça feita a todas grandes sagas da fantasia existentes, essa é sim uma das que mais se aproximam da obra de Tolkien e mesmo assim se mantêm extremamente original e criativa.  A Roda do Tempo está sendo lançada no Brasil pela editora Intrínseca – até o momento foram lançados 4 volumes – que promete lançar 2 livros por ano (um por semestre)!

 

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Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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