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A Torre Negra: Uma história de amor e ódio

Antes de qualquer coisa gostaria de compartilhar aqui a minha dificuldade em falar sobre essa épica e aclamada série de Stephen Tenho Mais Livros Escritos Que Sua Bibliografia do Mestrado King. Já faz algum tempo que finalizei a leitura da saga A Torre Negra (The Dark Tower), porém ainda não consegui chegar a uma opinião formada sobre… Se é que é necessária uma opinião formada…

Mantenho-me em uma eterna relação de amor e ódio com a obra e esse campo de incerteza perdura em um ciclo vicioso contínuo como a grande roda do Ka[1].

 

                                                                                                  Ka

                                                                                           Ka       Ka              

                                                                                     Ka                  Ka

                                                                                          Ka        Ka

                                                                                                Ka

                                                                                             (risos)

 

De qualquer forma escreverei aqui sobre alguns pontos da saga que julgo significantes seja para o bem, ou seja, para o mal. Obviamente as colocações feitas não são verdades absolutas e sim apenas impressões de minha humilde pessoa.

E claro, vale aqui a observação: Contém spoilers!

 

Como dito anteriormente A Torre Negra foi escrita por Stephen Escritor Mais Rápido do Oeste King e teve como três principais fontes de inspiração: o poema épico Childe Roland à Torre Negra Chegou escrito no século XIX por Robert Browning; o universo fantástico de J. R. R. Tolkien; e contos e lendas do Rei Artur.

Com uma mistura de fantasia, faroeste e ficção – científica super recheada de elementos da cultura pop o autor nos conta nessa série a história de Roland Deschain, último pistoleiro do Mundo Médio, e sua busca pela Torre Negra, pilar e centro do multiuniverso.

Considerada sua maior obra A Torre Negra é constituída por sete volumes principais: O Pistoleiro (The Gunslinger, 1982), A Escolha dos Três (The Drawing of the Tree, 1987), As Terras Devastadas (The Wast Lands, 1991), Mago e Vidro (Wizard and Glass, 1997), Lobos de Calla (Wolves of the Calla, 2003), Canção de Sussannah (Song of Susannah, 2004) e A Torre Negra (The Dark Tower, 2004).

E como se não já bastassem as 4mil fuckin páginas anteriormente escritas ele ainda lançou em 2012 o conto O Vento pela Fechadura (The Wind Through the Keyhole) que apesar de ser o último lançamento da série é considerado o volume 4.5 situado cronologicamente entre o quarto e o quinto livro na saga.

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O primeiro livro da coleção intitulado O Pistoleiro resume-se basicamente na apresentação de Roland, o protagonista, e sua perseguição a um velho conhecido o Homem de Preto. O foco dado a Roland e a simplicidade com que o autor conduz a história faz com que esse seja um dos meus preferidos da narrativa. Mesmo com uma escrita objetiva Stephen Enquanto Isso Você Lia Ele Lançava Uma Trilogia King cria um clima misterioso e envolvente que gerou em mim uma expectativa gigantesca para o restante da série.

Porém em A Escolha dos Três a expectativa cultivada anteriormente não foi atingida. Nesse volume o escritor me passou uma rasteira e conduziu a história para um caminho totalmente inesperado. Não que eu não tenha gostado do livro, contudo ele não atinge, na minha singela opinião, o patamar alcançado pelo volume de estréia.

Nesse livro nos são revelados outros personagens que auxiliarão Roland em sua busca pela Torre, todos de Nova Iorque, no entanto de épocas diferentes. São eles: o viciado Eddie Dean, Odetta Holmes/Detta Walker/Susannah Dean uma negra sem pernas com sérios distúrbios de personalidade. Eles chegam até o pistoleiro por meio de portas que funcionam como portais de ligação do Mundo Médio com outros mundos paralelos.

Apesar do estranhamento inicial podemos perceber já nesse volume alguns indícios dos reais planos do autor para a saga. E eles são megalomaníacos.

Em As Terras Devastadas o ka-tet[2] de Roland se completa com a chegada do garoto Jake Chambers e Oi (uma espécie de cão-guaxinim do Mundo Médio). Dando continuidade à peregrinação a Torre Negra o grupo chega à cidade de Lud, uma cidade em ruínas que nos remete a cenários pós-apocalípticos de filmes como A Estrada e Mad Max.

Esse volume além de nos apresentar um grupo de heróis bastante exótico nos bombardeia com muitas informações sobre a Torre e traz a tona elementos como inteligência artificial, demônios, mutantes dentre outras criaturas monstruosas. Mais do que a quantidade de novos elementos, para mim, o ponto chave desse livro é a maneira como King consegue organizá-los e a dinâmica concebida à história.

De fato a leitura de As Terras Devastadas me convidou a remergulhar de cabeça na magnum opus de King… Mas o melhor ainda estava por vir!

Mago e Vidro, indiscutivelmente uma obra prima e o melhor livro da série.

Nesse volume, após desembarcar em Topeka o ka-tet acampa próximo a lúmina uma espécie de névoa que na verdade é um portal interdimensional defeituoso do espaço-tempo, coisa básica…

Enfim, o importante é que isso traz a Roland lembranças de seu passado e ele as compartilha com seu grupo.

A confabulação sobre o passado do pistoleiro é primorosa . Os gatilhos e as motivações para busca de Roland a Torre Negra nos são revelados e acabamos por nos tornar cúmplices e testemunhas de sua história. Stephen WriterMachine King conseguiu nesse quarto volume dar ao protagonista um nível de profundidade não existente anteriormente e construir uma atmosfera wersterniana praticamente perfeita.

Dark-Tower-Background

Daí, quando você pensa que King vai continuar mitando em sua obra ele… Mija no barranco

Os três últimos livros da série lançados pelo escritor (em um espaço de tempo de apenas 2 anos) ficam totalmente aquém dos outros e colocam em xeque toda a história construída nos volumes anteriores.

Se Mago e Vidro é o melhor de todos sem sombras de dúvidas o volume seguinte, Lobos de Calla é o pior.

Roland e seu ka-tet chegam até Calla Bryan Sturgis e lá descobrem que a pacata cidade sofre por décadas com ataques de um bando de criaturas conhecidas como ‘lobos’. Essas criaturas raptam seus filhos que após alguns anos retornam como roonts[3].

O grupo de pistoleiros resolve então auxiliar os habitantes de Calla e grande parte do livro resume-se na preparação da cidade para o próximo ataque.

Existe outro eixo da história que se passa em Nova Iorque, mas que consegue ser mais monótono que os acontecimentos de Calla Bryan Sturgis. Além disso, Stephen Já Escrevi Mais Livros do Que Você Já Pegou Mulheres e/ou homens King insere outros personagens com funções completamente questionáveis.

O fato é que você fica a p#R$@ do livro inteiro na expectativa da chegada desses malditos lobos que só aparecem nas últimas quinze páginas, embora o conflito entre eles e os habitantes da cidade se resolva em cinco fuckin laudas… Ok, muitas vezes a preparação de um evento pode ser bem mais interessante que o evento em si, mas esse não foi o caso. A preparação da resistência Calla contra a invasão dos lobos é chata pacas e me cheirou mais como encheção de abobrinha do que qualquer outra coisa.

O sexto volume intitulado A Canção de Susannah segue a mesma pegada que o volume anterior no quesito encheção de abobrinha. Porém nele Stephen Escritor/Personagem King brinca um pouco com o jogo ficção-realidade e se incorpora a narrativa como personagem. Isso mesmo, Stephen De Verdade King em sua série A Torre Negra insere o personagem Stephen De Mentira King que na história está escrevendo o épico A Torre Negra. Entendeu?

A questão é que tendo como referência o multiverso e mundos paralelos criado pelo escritor na série sua auto-inserção como personagem no enredo é até aceitável, entretanto muito questionável. Soou-me mais como uma jogada de marketing, já que ele também introduz diversas referências a outras obras suas, do que como elemento relevante para a história. Não me convence.

A Torre Negra, o último livro da saga, traz (como o esperado) a resolução de todos os pontos apresentados por Stephen Mestre do Terror King durante o épico e dividiu minha opinião.

De um lado temos pontos fracos como a expectativa que o escritor alimenta em nós por meio em alguns personagens que não são nem de perto alcançadas. Além disso, Stephen King parece ter sido assolado pelo espírito de George R. R. Martin, e nesse livro inicia um verdadeiro genocídio contra seus personagens como uma espécie de recurso ao estilo Deus ex machina! Sqn!

A verdade é que me decepcionei com muitos personagens e caminhos escolhidos pelo escritor, mas o prêmio decepção vai, sem dúvidas, para o Rei Rubro ‘vilão mor’ que foi, literalmente, apagado… Mds!

Entretanto também temos pontos positivos como a recuperação de uma atmosfera wersterniana que resgata, ainda que pouco, o universo construído por King nos primeiros volumes. E claro, o encerramento da trama que é paradoxalmente surpreendente e óbvia: Ka.

Talvez o último volume intitulado A Torre Negra represente bem a série que carrega o mesmo nome: uma obra longa e completamente irregular.

A saga varia entre momentos e ideias fantásticas e momentos com desenvolvimentos ruins e confusos. Mas apesar de ser uma leitura difícil devido a sua inconstância é uma obra que indico para os amantes de clássicos épicos. Contudo desde já advirto, é um exercício que exige paciência e perseverança!

Longos dias e Belas Noites!!!

 

 

 §  Do Vento pela Fechadura: Após saírem do Palácio Verde (Mago e Vidro) o grupo de pistoleiros faz uma pausa em sua busca a Torre Negra devido a um fenômeno que os impede de seguir viagem. Assim como no quarto volume, Roland relembra um fato de seu passado e o divide com seu ka-tet. O livro possui três camadas onde uma história é contada dentro da história na história o que a principio pode confuso, contudo Stephen Edwin King consegue organizá-las harmoniosamente. Juntamente com O Pistoleiro e Mago de Vidro, Vento Pela Fechadura é inquestionavelmente um dos meus livros preferidos da série.

NVentoFechaduraCapa

 

[1] Ka: Destino

[2] Ka-tet: Grupo de pessoas ligadas pelo destino.

[3] Roonts: Estado em que os gêmeos raptados retornam a Calla após serem levados pelos lobos onde apresentam níveis de deficiência intelectual apesar de ainda possuírem consciência.

Welerson Filho (Amakir)
Graduado em Teatro por influência do RPG e fanático por cards e board games. Canhoto e de espírito competitivo tem dificuldade com jogos cooperativos. Amante do gênero literário/cinematográfico fantástico acha a realidade um porre.

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