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All-Star Superman – Parte 1

Contextualizando a coisa toda.

Superman sempre foi um ícone. O primeiro Super-herói, o maior herói dos quadrinhos, o símbolo mais conhecido depois da Cruz, respeitado pelos Heróis (até pelo bucha do Batman: Referência maldosa ao Batman N°1), temido pelos vilões, esses tipos de adjetivos que gostamos de associar a alguém ou alguma coisa. Desde os anos 30, onde ele era um sujeito que buscava a Justiça a qualquer preço (sério, saltar cidade a fora segurando um bandido pelos pés e batendo nos fios elétricos da cidade e tão Hardcore que até o Batman arregaria: Referência maldosa ao Batman N°2) até os clássicos filmes da década de 70/80, com roteiros simples, uma inocência característica das HQs da era de Prata e carisma, MUITO carisma. O filme levou multidões ao cinema e garantiu ao herói e ao seu interprete (que se você não sabe o nome, que Rao tenha piedade da sua alma, aliás, se você não sabe o que e Rao… sério… dê um jeito na sua vida) o status de um dos maiores ícones da cultura pop, um símbolo, que quase foi jogado na privada depois de dois filme deploráveis, mas isso não vem ao caso.

Pessoalmente meu herói favorito, junto do Homem Aranha e do Capitão América.

Os Anos 80 chegaram, e uma aura mais dark começou a pairar sobre as editoras americanas. Personagens até então “desconhecidos” do grande público, e até mesmo de algumas rodas nerds, começaram a ter mais destaques. Na Marvel, personagens como o Justiceiro (mero coadjuvante das HQs do Homem Aranha, primeira aparição em 1974), Demolidor (fracasso nos anos 60 e 70, sucesso nas mãos de Frank Miller nos anos 80 e 90) Wolverine, entre vários outros. Na DC Comics, Batman – O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, a revolucionária Watchmen, o cínico John Constantine em Hellblazer e o Monstro do Pântano de Alan Moore tomaram de assalto às publicações da DC e instauraram um novo status quo na editora, que continuou tendo historias mais leves, mas infelizmente não tinha mais aquela inocência que os velhacos saudosistas tanto gostavam. Por exemplo, nunca mais veríamos o Superman casando o Jimmy Olsen com um gorila =/.. Ou veríamos a gama de cores do guarda roupa do Batman, que era um LUXO. =/.

Sim, eu acho legal o Jimmy Olsen se casando com um Gorila. Superman, o escoteirão amigo da galera também sabia ser babaca.

Superman fazendo uma sopa pa nois, com um com “cocar” africano, casando o Jimmy Olsen com uma Gorila mal humorada, só pra sacanear: Esse cara não conhecia o limite da Zoeira.

Nasciam assim os Anti-heróise a invocação da Cartinha Frank Miller: referencia maldosa ao Batman N°3.

Com esses fatores, o surgimento de heróis com personalidades mais cinza, o Superman foi pegando a fama de datado, pois não houve um grande esforço para adaptar o personagem à nova realidade, onde os heróis perfeitos e que tinham seu simbolo maior representado pelo Homem de Aço, não eram mais uma realidade aceitável. Os maiores esforços que posso puxar da memoria no momento são as historias “A Morte do Superman”, onde tentaram (de forma lamentável) humanizar o herói e deixa-lo mais pé no chão e a nova origem de John Byrne na revista The Man Of Steel, onde ele remodelou o personagem, tornando-o mais “cientifico” e menos “mágico”. (Nota: Essa historia falarei dela mais para frente, e tema para um post inteiro e vale a pena).

Mas Joseph (sou eu!! =D), aonde você quer chegar com tudo isso? Explica isso direito!! Vai direto ao ponto, cara!!

Simples meu caro amigo que acabou de sair das fraldas, já ouviu falar da Graphic Novel escrita por Grant Morrison e desenhada pelo rei Frank Quitely sobre o Maior Super-Herói de TODOS os tempos, All-Star Superman??

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Capa da primeira edição e do Álbum definitivo, lançado pela Panini, em 2012.

 

Ou, como foi renomeada no Brasil, Grandes Astros: Superman, publicada em 2006 e que ganhou uma edição definitiva em 2012.

 

O Selo

Não sei se é bem um “SELO”, mas é um nicho da editora que buscava resgatar o clássico dos clássicos, pegando o melhor de seus personagens em uma era específica, gerando histórias fora da cronologia da editora, dando mais liberdade para os autores e desenhistas criarem histórias mais descompromissadas, sem as amarras da bagunçada cronologia do Universo DC.

Além dessa Graphic Novel do Superman, tivemos também o lançamento do despirocado “All-Star Batman & Robin, The Boy Wonder”, de Frank Miller e Jim Lee (desenhista de sucesso nos anos 90 e responsável pelos atuais/”desatuais” Novos 52) e planos para o lançamento da graphic “All-Star Wonder Woman”, que seria desenhada pelo, Mestre Supremo e Rei da Mulherada em HQ, Adam Hughes (sério, esse cara manja da anatomia feminina).

O selo pretendia lançar uma HQ nesses moldes de seus principais personagens, inicialmente lançaram Superman (sucesso!), depois Batman & Robin (sério, é meio cagado) e posteriormente lançariam Wonder Woman, mas o titio Frank Miller peidou na farofa com o Batman (não foi muito bem recebido pelo público e pela crítica) e aposentou o selo de vez, deixando os nerds apenas com alguns rascunhos que Adam Hughes planejava para a Maravilhosa e a esperança de que um dia tudo voltaria a ativa.

Uma pena, perdemos potenciais histórias do Lanterna Verde, Flash, Arqueiro Verde, Caçador de Marte e do maior e mais útil herói da historia das HQs: AQUAMAN !

Bem, vida que segue.

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A cancelada “All-Star Wonder Woman”, com a arte maravilhosa do Adam Hughes…

 

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…e uma capa alternativa de “All-Star Batman and The Boy Wonder”. Só pra efeito de comparação entre os estilos.

 

All-Star Superman: A História.

Superman está morrendo!!

Sério, ele pode morrer de sobrecarga. Louco, né?

Uma patota de cientistas tiveram uma brilhante ideia de jegue: lançar uma nave tripulada ao Sol (talvez eles foram a noite, não sei), com o objetivo de estudar o mesmo, mas acabam sofrendo uma sabotagem, cortesia do Lex Luthor. Superman vai ao resgate da Nave e em pleno resgate já manifesta um poder novo. Chegando a Terra ele descobre que a exposição excessiva ao Sol está sobrecarregando suas células que são basicamente baterias solares de dar inveja a qualquer pilha Rayovac, resumindo, elas estão se implodindo e matando o Superman aos poucos. Mas tudo tem um lado bom, o cara agora e imune a Kriptonita verde, teve sua força triplicada junto com a sua coragem, curiosidade e criatividade (Era de Prata TOTAL!!). Ou seja, o cara seria um DEUS literalmente, se não estivesse morrendo.

Ele se conforma com seu atual estado e parte para resolver algumas pendências. Essas pendências acabam meio que se tornando “Os trabalhos finais do Superman”. 

ATENÇÃO!! A partir de agora eu vou jogar muitos spoilers. Estou sendo bonzinho em avisar, não costumo ligar muito pra spoilers e mando tudo na lata. Caso não queiram ler mais, parem aqui e agora.

Superman resolve então esquecer um pouco os problemas do mundo e cuidar de algumas coisas pessoais. Inicialmente ele resolve se abrir para Lois Lane, a repórter investigativa mais influente do mundo, que convivia diariamente com Clark Kent e nunca descobriu sua verdadeira identidade.

Cabe aqui um adendo: Todos pensam “nossa, que burra!! Ele só coloca o óculos e ninguém sabe a sua identidade?! E muito estúpido isso!” Eu digo, meu jovem fanboy do Batman (Referência maldosa ao Batman:N°4), não era apenas colocar os óculos, uma conclusão assim é muito leviana! Meça suas palavras, parça. Superman é um ser acima de todos nós, como você sabe ele é super poderoso, tem basicamente todos os poderes que todos os outros heróis existentes, exceto o Anel do Lanterna (mesmo sabendo que ele é uma das opções dos Guardiões de Oa para portar o anel), os disparadores de Teia e o Martelo de Thor (mesmo ele tendo erguido uma vez o Mjolnir), ele tem uma inteligencia ímpar comparado às grandes mentes da terra (só fica burro perto do Batman, por que ele faz uso da Cartinha Frank Miller. Referência maldosa ao Batman N°5). É errado dizer que um cara que se disfarça como um caipira, atarracado, tímido, 4 olhos, desastrado e engana a MAIOR REPÓRTER INVESTIGATIVA DO MUNDO durante anos é um puta de um ator digno do Academy Awards, vulgo The Oscar?

Quer dizer, olhem isso:

 

Clark Kent a esquerda, meio atarracado o que lhe dá aparência de gordinho, cabelo lambido, desengonçado e temos a presença do glorioso óculos disfarce. A direita, o Superman.

Você repara que a mudança de postura, comportamento, tom de voz e etc. transforma ele em um outro homem, uma pessoa completamente fora de cogitação quando você imagina que o Superman tem uma identidade secreta. Seguindo o dialogo final do filme Kill Bill Vol. 2, pode-se dizer que a identidade Clark Kent nada mais é que a forma que Kal-el vê a humanidade: seres frágeis, desengonçados e inseguros. Mas apenas divago.

Voltando ao assunto.

E aniversário de Lois Lane. Ele se revela e, para nossa surpresa, Lois não acredita. Ele a leva para a fortaleza da solidão, e ela não acredita. Ela faz um tour pela fortaleza do solidão, conhece cidades miniaturizadas pelo Brainiac, uma sala de armas alienígenas confiscadas pelo herói (entre elas uma arma de kriptonita), alimenta um devorador de Sóis, e ela não acredita. E, após ver o Superman e seus robôs ajudantes agindo de forma misteriosa, ela acaba entrando em uma paranóia louca, achando que o Superman quer criar uma super raça de seres híbridos humanos-kriptonianos (WHAT?!!!). Sendo assim, ela se lembra da arma de kriptonita, se arma e vai “investigar” a tal sala. Só pra dar de cara com o Superman e acabar disparando uma rajada de kriptonita no peito do Homem de Aço. Mas ele descobre que agora é imune a kriptonita. Eles vão jantar (o Super também é cozinheiro) e ele revela que está morrendo e que tem um último presente de aniversário para sua amada: uma fórmula sintetizada que concede os mesmos poderes dele a um humano normal por 24 horas e uma roupa de Super Mulher! Ela parte pra aproveitar os poderes.

No caminho, eles descobrem que uma raça de lagartos intra-terrestres estão invadindo Metropolis e partem para deter a ameaça, mas dois heróis chegam antes: Sansão e Atlas.

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Advinha quem e quem.

Sim, o cara da Bíblia e o cara que carrega o mundo nas costas na mitologia grega. Mas aqui são viajantes do tempo que estão sempre em busca de desafios e que possuem uma pequena rixa com o Superman. Eles começam a disputar a poderosa Super Mulher e descobre-se então que os Lagartos intra terrestres foram incitados a invadirem o mundo superior. Depois de resolver a pendenga, Superman vê sua amada sendo cortejada (sim, eu uso essas palavras… ) pelos heróis antigos, pois eles sabiam que o Homem de Aço morreria e que Lois precisaria de um ombro para chorar. Então, eles presenteiam a “heroína temporária” com as jóias da coroa da dinastia Atomothep (Atomo-Thep.. pegaram?), que eles.. uh.. pegaram “emprestado” da Ultra Esfinge que os perseguem atrás das jóias. Jóias essas que são radioativas, mas como a Super Mulher e imune à qualquer tipo de radiação, fica tudo de boa.

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A Ultra Esfinge, que também e chegada numa charada.

 

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Lois Lane refém da Ultra Esfinge: Nem viva, nem morta.

Mas, surge a Ultra Esfinge que faz Lois de refém a deixando em um estado em que ela não está nem viva e nem morta. O que deixa o Superman puto. A Ultra Esfinge decide mandar uma charada (lembra? “Decifra-me ou te devoro”): “O que acontece quando uma força irresistível encontra um objeto inamovível?”. Superman resolve a charada (que mais pra frente você descobre de onde ele tirou a resposta) libertando assim sua amada. Superman resolve ir embora, mas Sansão e Atlas não desistem e decidem desafiar Superman de uma vez por todas. Eles vão então para uma ilhota distante e tiram um braço de ferro, Superman contra a rapa! E ELE GANHA! Mandando Atlas com os braços quebrados para o hospital. Após um beijo apaixonado na Lua, o capítulo termina com Superman e Lois vendo o nascer do Sol, ele se declarando para ela mais uma vez e ela dormindo em seus braços, exausta e com os poderes indo embora. Sendo esse, um dos últimos momentos do Herói e sua amada.

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O último momento do Herói e sua amada juntos.

E interessante notar que o autor trouxe uma aura ainda mais poderosa para o herói que com o tempo foi se tornando uma figura messiânica, um Deus entre os mortais. Ele levou seus poderes ao limite, mas ainda sim manteve a humanidade que ele sempre teve. Ele sente ciúmes, medo, insegurança, todos os sentimentos que seres abaixo dele sentem. A sutileza dos detalhes de sua personalidade e abordada de uma forma que há tempos não vemos, seja nos HQ’s ou em qualquer mídia.

Essa primeira história serviu para fechar bem o relacionamento mais longo do herói. Foi o “Primeiro Trabalho” do Herói antes de partir para o seu destino inevitável. Nota-se também um paralelo com os heróis clássicos (“Os 12 trabalhos de Hércules”, a presença de Sansão e Atlas, Superman agindo como um criador) transformando o herói também em um ser mitológico, algo que ele poderia muito bem vir a se tornar daqui a mil, 2 mil anos.

Continuarei em breve com esse “resumo” dessa HQ tão bem feita. Nos próximos artigos teremos Jimmy Olsen babaca, Lex Luthor apelão, Bizarro e o Bizarro do Bizarro, o Zibarro.

Flw, vlw.

 

 

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All Star Superman – Parte 2 – “A Guerra Superman/Olsen” e o “Evangelho Segundo Lex Luthor”

Joseph
Amante de HQs e de seus derivados, acho o Batman um Bucha e que o melhor Coringa de TODOS OS TEMPOS e o Cesar Romero. Eu gosto do Superman casando o Jimmy Olsen com uma gorila mal humorada.

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