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As Crônicas de Shannara – 1ª Temporada

Um belo visual estragado pela trama superficial e pelo excesso de clichês… e justiça seja feita isso é um mal de Terry Brooks de uma forma geral. Nunca acompanhei o trabalho do autor, mas já tive contato com o livro Ilse, A Bruxa e agora com a série As Crônicas de Shannara, e o fato (que fica evidente nas duas obras) é que o autor abraça os clichês de uma forma intensa demais. É tudo muito extremo: o ÚLTIMO Druida do mundo, que precisa encontrar o ÚLTIMO discípulo que é o ÚNICO sobrevivente da ÚLTIMA raça fulanadetal e juntos precisam encontrar a ÚLTIMA espada que é a ÚNICA chance para SALVAR O MUNDO!!! São tantos, “últimos” disso e “únicos” daquilo, jogados a esmo na história sem nenhum contexto que tudo perde a graça.

As Crônicas de Shannara conta a história de um mundo onde a civilização humana desapareceu e foi substituída por um mundo mágico. O reino élfico é forjado em volta de uma grande árvore, a Ellcrys uma árvore cuja cada folha é um selo de aprisionamento de um demônio. Depois de anos de paz, a árvore começa a morrer (e as folhas a caírem) libertando dos demônios e colocando em cheque a paz do mundo. O demônio Dagda-mor (Jed Brophy) quer dominar o mundo, e para impedí-lo caberão ao último druida Allanon (Manu Bennet), a princesa élfica Amberle (Poppy Drayton), o meio-elfo Will Ohmsford (Austin Butler) e a humana Eretria (Ivana Baquero) a missão de ingressar numa jornada para salvá-lo.

É com um clichê atrás do outro que a trama se desenvolve sem nenhum um tipo de substrato – porque Ellanon é o ÚLTIMO dos Druidas? Porque a sociedade humana sucumbiu? De onde surgiram os elfos, trolls e outros seres mágicos? – e com tramas e resoluções muito bobas, onde todo o desenvolver é simples e previsível. Inclusive os elementos da civilização perdida estão todos lá: sucata, contornos de cidades em ruínas entre outras coisas, mas isso simplesmente não interessa para a trama de As Crônicas de Shannara, é tudo mero elemento do cenário – justiça seja feita, alguns desses cenários até tem “participação”  na história, mas é tudo feito de maneira superficial. A civilização perdida dos humanos e o mundo mágico proposto na série são duas partes distintas que ocupam o mesmo cenário mas nunca vão se encontrar.

Tudo bem que é uma série produzida pela MTV (teoricamente um canal abaixo dos grandes monstros do mercado de séries atual) e com um visual maravilhoso (mais para frente falo disso), mas isso não salva o aspecto técnico que também deixa a desejar. O elenco é forjado pela aquela classe de atores que não conseguiram uma vaga em algum Highschool Musical, todos muito bonitinhos mas com uma atuação mais voltada às passarelas de moda do que à um seriado de TV. A própria trilha sonora falha em alguns momentos, colocando canções completamente deslocadas do momento em questão.

Mas a série é tão ruim assim? É. Bom, pelo menos um fator de qualidade deve ser apontado até como uma futura referência para séries do gênero: o visual é magnífico. Filmada na Nova Zelândia (que parece ser o recanto mágico da fantasia no planeta Terra) a série traz visuais magníficos, até que por se tratar de um canal de menor expressão (a MTV não é referência quando o assunto é série) e de menor poder aquisitivo, deixa muita série no chinelo. Paisagens magníficas dão uma roupagem bastante bonita ao mundo de As Crônicas de Shannara, e a série se resume à isso.

O que fica de As Crônicas de Shannara é a ideia de que a fantasia pode ser um grande ramo a ser explorado na televisão. Um ramo praticamente desprezado mas que chegou com tudo com Game Of Thrones, e agora mostra que uma visual bonito pode ser facilmente alcançado, e espera-se que as produtoras abram os olhos e transformem em série, outras sagas potencialmente melhores (O Nome do Vento ou Os Nobres Vigaristas, por exemplo). As Crônicas de Shannara teve segunda temporada confirmada e tem lá seu septo de fãs, mas só o visual bonito não salva a série de ser algo bem bobinho.

Título Original: The Shannara Chronicles

Canal: MTVFlecha-2_5

Ano: 2016

Episódios: 10

Tempo: 42min

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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