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Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Mesmo com um longa incerto e tortuoso, a DC entrega aquilo que todo mundo esperou. O que falar desse que é um dos mais polêmicos filmes do momento? Esperado por muitos como o filme do ano, o filme dividiu críticas no mundo inteiro vivendo no limiar do amor e ódio; Mas o que dizer de Batman vs Superman: A Origem da Justiça? É sim um filme excelente, com altos e muitos baixos é verdade, mas que entrega ao espectador tudo aquilo que ele desejava ver no cinema.

O enredo gira em torno da opinião popular sobre o Superman (HenryCavill), idolatrado por uns e odiado por outros, enquanto Batman (Ben Affleck) que sempre foi considerado um fora-da-lei investiga o contrabando de uma estranha pedra… O elo de ligação entre os personagens é o vilão Lex Luthor disposto a qualquer coisa para destruir o Homem de Aço. Correndo por fora do enredo, existe a presença de uma estranha e bela mulher que parece ser mais do diz ser…

Talvez o grande problema da DC seja ser ter ido com sede demais ao pote, enquanto a Marvel – sim, falarei bastante sobre a Marvel – demorou anos preparando o seu Os Vingadores, trabalhando os personagens individualmente, fazendo filmes e mais filmes – podendo ignorar filmes ruins como o do Hulk por exemplo – preparando o terreno para a união de seus heróis, a DC resolveu apressar as coisas e fazer tudo isso logo em seu segundo filme.

A Marvel já tem o terreno consolidado e após anos e anos construindo seu universo compartilhado de filmes, já sabe o que funciona ou o que não funciona nas telonas, enquanto a DC ainda está na fase de testes, isso acarreta alguns deslizes, como por exemplo o antagonismo entre os personagens principais: é até aceitável a maneira como os personagens se opõe no filme, mas o estopim que leva os personagens a brigarem é no mínimo bobo; o vilão Lex Luthor (Jesse Eisenberg) é completamente desprovido de motivações e ainda precisa ser muito trabalhado daqui para frente ( como uma explicação para ele ter feito o que fez); a inclusão de uma personagem como a Mulher-Maravilha (Gal Gadot) sem uma trama prévia faz a personagem ficar a deriva esperando momentos oportunos para aparecer; e claro, com a presença de 3 membros da Liga da Justiça se fez necessária a implementação de um vilão ultrapoderoso de última hora, o que poderia muito bem ter sido adiado mas que se fez necessário uma vez que você precisava ter todos os personagens em ação.

Essa pressa de fazer tudo num filme só, jogou nas mãos do diretor Zack Snyder a bomba de ter que trabalhar com vários personagens com arcos de história distintos, e amarrar tudo da melhor maneira possível para entregar o produto final. O resultado é uma montagem meio bagunçada, com quase 3 horas de duração, com cenas de ação e de monotonia mal intercaladas – a cena do Batman no deserto é completamente descartável por exemplo – mas apesar de muitos altos e baixos, são justamente esses altos que valorizam o filme e fazem dele um produto bem sucedido.

Se por um lado Lex Luthor está mal construído – com uma excelente atuação, mas muito baseada no Coringa, o que não convence – por outro os personagens principais estão muito bem estabelecidos: Sempre me perguntei o por que da existência de um herói como Superman, que só existia para salvar aviões, ônibus e trens – para isso eu preferia os filmes sobre a Guarda-Costeira ou o Corpo de Bombeiros – e Zack Snyder finalmente trouxe para o cinema um personagem poderoso e com oponentes a altura: agora o Superman dá socos, e isso traz consequências… o complexo de herói/vilão, deus/mortal vivido pelo personagem no filme é fantástico, afinal como reagiríamos se uma criatura tão poderosa assim vivesse entre nós? Do outro lado da moeda, Batman é um justiceiro implacável consumido pelo ódio e pela necessidade de expurgar o mundo dos malfeitores ( mesmo se o Superman for um deles). Ben Affleck é o ponto alto do filme, seja como Bruce Wayne, seja como Batman e se redime magistralmente do fracasso como Demolidor, e acaba carregando Alfred (Jeremy Irons) que tem uma participação muito efetiva no filme, como outro excelente personagem do longa. Para finalizar, a Mulher-Maravilha, o Thor da DC, sem embasamento nenhum é lançada no meio do filme sem mais nem menos… e cai de pé, mesmo sem um filme solo, ela consegue vender bem seu peixe – seria o belo carisma de Gal Gadot – e propicia uma excelente cena de ação.

Zack Snyder faz aquilo que sabe fazer de melhor, criar fantásticas cenas de ação e fica difícil de escolher qual a melhor cena do longa: o combate solo do Batman contra um pelotão de mercenários, violenta ao extremo? A Batalha de Metrópolis (de O Homem de Aço, 2013) agora vista pelo ponto de vista de Bruce Wayne, um dos sobreviventes? A batalha da “Liga da Justiça” contra o Apocalipse com a excelente participação da Mulher-Maravilha? Ou a tão esperada luta entre Batman e Superman, que é muito bem construída, cheia de artimanhas e responde sim quem seria o vencedor!

Enfim, a DC resolveu adiantar as coisas e derrapou por isso, mas com isso ganhou alguns anos e pode-se dizer que conseguiu estabelecer seu universo no cinema, o filme mostrou aquilo que prometeu, a Liga da Justiça está formada – com direito à vídeos amadores de Flash e Aquaman – e o teor dos filmes está estabelecido: mais denso e mais pesado que os filmes da Marvel, muitos reclamam da moral dos personagens, mas os personagens não mudaram, o Superman ainda é o mesmo, mas abordado de forma realista, ele é forte, quando ele bate os prédios caem, as coisas explodem, o Batman precisa sobreviver nesse mundo de super-seres, e não vai ficar chorando sobre a moral deles, ele vai dar um jeito de bater mais forte! Com Batman vs Superman: A Origem da Justiça a DC consegue fazer o que prometer e lançar no cinema seus principais personagens, agora resta trabalhar com mais calma nos filmes solo e fazer os reparos necessários e estabelecer uma história no cinema para nerd nenhum botar deifeito!

 

Título Original: Batman vs Superman: Dawn Of JusticeFlecha-4_5

Direção: Zack Snyder

Roteiro: Zack Snyder, David S. Goyer, Chris Terrio

Duração: 151min

Ano: 2016

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.
  • João Pedro

    Concordo com o Superman estar fisicamente melhor representado, no sentido dos seus poderes, mas a sua personalidade e inteligencia não. Vai me dizer como ele levou dois tiros iguais de kryptonita do Batman?
    E a bondade do Superman nos quadrinhos sempre pareceu uma coisa inerente ao personagem, sem todos esses questionamentos sobre como ser bom.
    E o que falar de seus poderes seletivos? Como ele ouve a Louis no meio do deserto no oriente médio, mas não ouve os gritos de sua mãe, em posse dos sequestradores? Como ele deixa o Luthor sair com essa história de “se voce não trouxer a cabeça do morcego em uma hora, eu mato a sua mãe”? Como alguém derruba um prédio com um soco e viaja o planeta todo em questão de instantes se sente intimidado por isso?
    O personagem teve um carisma tão grande que não percebi ninguém se manifestar quando ele apareceu morto na tela (acredito que nem seja culpa do Henry, e sim dos roteiristas e do diretor), já quando a Gwen Stacy morreu em ASM2, mesmo com um filme ruim, foi notória a comoção do pessoal no cinema.
    Não vou nem falar do Batman assassino e em como isso banaliza seu embate psicológico com o Coringa, deixo pra você pensar nisso.
    O filme não entregou aquilo que foi esperado. Um embate entre ideologias, de um homem mortal cansado de tudo, que vê um “semi-deus” recém chegado a Terra destruindo tudo e agindo sem se preocupar com as consequências já seria o suficiente para um filme foda, sem a necessidade de acrescentar tantos e tantos personagens. Nessa expectativa, o filme correspondeu com dois bobinhos brigando sem analisar direito o lado do outro (um deles é conhecido por ser o maior detetive do planeta), ambos manipulados por um vilão de primeira viagem que tinha um plano que não entendi como ele ia lidar, caso o mesmo funcionasse.

    • Italo Aleixo de Faria

      Ele levou dois tiros da maneira como foi mostrada no filme: o Batman atirou uma vez, e depois atirou uma segunda vez… Não cabe a mim discutir física de projéteis aqui, mas o resultado de quando você atira algo em alguém é no mínimo intuitivo, não cabe explicação.

      Em que momento do filme mostra ele ouvindo a Louis no deserto? Mostra ele chegando para salvá-la (até porque, mesmo ela sendo sua amada ele nem deveria se preocupar por onde ela andava não é mesmo?).

      Como ele deixa o Luthor se safar? Ele se safou? Na versão do filme que eu vi ele terminou preso, com relação ao sequestro ele foi claro: faça uma coisa a mim e “eles” tem ordem de matar sua mãe, bastante intuitivo também o resultado disso, tanto que ele precisa pedir para o Batman encontrar a mãe.

      Com relação a morte de personagem e reação do público vai variar da sessão que você assistiu, eu assisti TItanic 3 vezes e apenas uma vez eu vi alguém lamentar a morte do Jack (única morte forte no cinema), nunca vi ninguém lamentar a morte da Gwen (pelo contrário, muita gente tem a mesma visão babaca que você sobre o filme) e na minha sessão sim, muita gente não acreditou que ele estava morrendo!

      Com relação as promessas do filme:

      Superman Deus OK
      Easter eggs aos montes OK
      Ben Affleck fodão como Batman OK
      Luta entre Batman x Superman OK
      Mulher Maravilha mais apelona que o Thor OK
      Prévia da Liga da Justiça OK

      Com relação a bondade e moral dos personagens… bem amigo, caso você não saiba os anos 50 acabou, os quadrinhos que eram feitos para crianças mudaram, o público é outro, você precisa abordar assuntos mais realistas e complexos. Mas assim, caso você não queria aceitar que os tempos mudaram, o Submarino tá com uma oferta sensacional de Smallville!

      P.S. Não vou na festa que você vai tocar seu DJ de merda (só se rolar um vip)

      • João Pedro

        Ele levou um tiro onde ele segurou o projétil, que depois explodiu. Isso aconteceu duas vezes.

        Ele ouviu ela caindo do prédio e ouviu ela se afogando mesmo com a maior putaria rolando. A mãe dele ele não ouviu por que era conveniente pro roteiro.

        Luthor se safou naquele momento sim, e ainda não me convenceu como um deus se sente intimidado por uma ameaça daquelas, basta ele resolver tudo como ele resolveu com a Louis no deserto.

        A moral dos heróis sempre foi algo canônico nos personagens, se voce não sente falta disso é porquê voce ta na demanda Deadpool que os heróis estão passando.

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