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Carrie, A Estranha

Até onde o psicológico de uma pessoa pode aguentar antes de perder o controle. Carrie, A Estranha. Quem aqui nunca se sentiu no lugar de Carrie? Quem nunca foi alvo de gozações ou de hostilidade, seja na escola ou na vida. Mesmo que você seja a pessoa mais popular do mundo, de Carrie todo mundo tem um pouco. Você só não tem a capacidade de destruir o mundo com o poder da mente…

Stephen King é um dos maiores – senão o maior – nomes do terror na literatura mundial. Com mais de 50 obras publicadas é um dos escritores favoritos dos leitores fãs do gênero, e é claro que que tudo isso teve um começo. Carrie, A Estranha, é o primeiro livro do escritor, mas mesmo depois de tantos anos, e muita experiência adquirida, Carrie ainda se mantêm como uma das obras mais fortes e mais maduras do escritor. King chegou a jogar fora o manuscrito original por achar a história fraca, mas foi sua esposa que o convenceu de voltar atrás e lançar um dos melhores romances do autor.

Estudante da Barker Street Grammar School, Carrie era uma menina solitária, alvo de bullying, considerada o patinho feio da escola. Além da vida infeliz que sofria no mundo escolar Carrie era filha de Margareth White, uma fanática religiosa da pior estirpe, que constantemente reservava a filha os mais variados castigos e punições, para pagar os pecados que só ela via. Humilhada no lar e no âmbito escolar, Carrie cresce taxada de pecadora pela mãe – pelo simples fato de ser mulher – e como objeto de desprezo dos seus colegas, acumulando todo o ódio de uma vida. Soma-se tudo isso ao fato de que Carrie era telecinética: a capacidade de mover objetos com o uso da mente. No baile de formatura, uma última brincadeira de mal gosto, acaba levando Carrie ao ponto de ruptura, exaltando todo o seu ódio em forma de destruição…

Carrie, A Estranha é um romance epistolar – romances onde a narrativa é feita através de cartas ou diários –  narrado de forma jornalística: documentos antigos e relatos de sobreviventes vão sendo usados para montar uma matéria, que remonta o passado de Carrie até os eventos fatídicos no massacre de Chamberlein. O psicológico dos personagens é explorado de forma densa, fazendo desse um dos livros mais pesados de Stephen King – curiosamente banido em algumas escolas dos EUA.

A obra é primorosa e prende o leitor até o fim. A narrativa de King é extremamente realista, e mesmo se tratando de um tema sobrenatural é impossível não se comparar com os personagens da história, quem nunca se sentiu acuado e oprimido como Carrie White e quantas Chris Hargensen não existem por aí? E quem não se sente ao mesmo tempo complacente e egoísta como Sue Snell? Isso sem falar no fanatismo diabólico de Margareth White. É com personagens auto-identificáveis, um mundo fluente e ao mesmo tempo odioso, que King conduz o leitor até o desfecho trágico de sua obra. O livro é escrito em dois tempos: são intercalados, o relatório que tenta explicar o massacre ocorrido em Chamberlein e os flashback’s do passado, que coloca o leitor na pele de Carrie.

O desfecho da excelente trama é forte – característica que se tornaria marca registrada em toda obra de Stephen King – e o autor consegue passar para o leitor todo o clima prévio e posterior da noite fatídica, prendendo o leitor de tal forma, que mesmo após o término da leitura o enredo permanece grudado na sua mente. Obra Prima!

 

 

 

 

 

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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