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Celular

Os mortos vivos pela mente de um dos mais brilhantes escritores de terror da atualidade. O mestre do terror Stephen King, depois de ter usado lobisomens, vampiros, fantasmas, carros (???), poderes sobrenaturais e tudo mais em suas histórias, nesse livro ataca com uma das criaturas mais populares do mundo das trevas: Zumbis. O resultado acabou sendo uma trama um tanto quanto esquisita, cheia de altos e baixos, derrubando um pouco a expectativa criada em cima do tema.

King, dá aos seus zumbis um toque especial, fugindo do estereótipo clássico, criando uma coisa bem sua: para começar os zumbis não estão mortos, são pessoas comuns e VIVAS, que após receberem um pulso através dos aparelhos celulares, começam a se comportam como lunáticas e atacar ferozmente quem encontrar pela frente. Aí está um dos pontos altos do livro, os primeiros capítulos que abordam essa transformação, detalham minuciosamente como seria um acontecimento assim, num caos digno de Romero: Tudo está normal e de repente um homem morde seu próprio cão… E começa a baderna, pessoas atacando umas as outras com mordidas e o que estiver às mãos, num comportamento no mínimo bestial. Batidas seqüenciais de carros, quedas de aviões e explosões ininterruptas, faz você se sentir na pele, de um cidadão numa cidade entrando em colapso, todos passam a ser uma ameaça, além dos constantes acidentes, qualquer cidadão pode avançar para você com um cutelo e te retalhar. Tudo segue num clima perfeitamente apocalíptico e você sente na pele a procura de refúgio desesperada dos personagens – e em momento algum King, para de narrar as explosões, que dão um toque de realismo na narrativa.

Depois de um começo arrasador, a história dá uma decaída: os “zumbis” passam a evoluir com o tempo e se tornam telepatas e telecinéticos. Poderosos demais para serem combatidos, passam a querer vivos os personagens, para uma vingança pessoal. Com isso, mais da metade do livro passa a ser uma jornada monótona, onde nossos personagens serão protegidos de quem se meter com eles – o que não ajuda muito – pelas próprias criaturas, perdendo todo o clímax de “sobrevivência”. Depois de uma queda brusca de interesse, o livro começa a ficar mais interessante para o final, e o desfecho é de “lavar a alma”, edificante, explosivo, muito bom. E depois cai novamente de rendimento…

Bem, é essa a impressão que eu fiquei, King criou uma história interessante, mas em detrimento das criaturas chatas – zumbis telecinéticos? Blah – e o fraco desenvolvimento dos personagens – Celular tem os personagens mais chatos ou insonsos criados por King – acabou fazendo dessa obra um livro comum, longe de ser um clássico. Celular está sendo adaptado para o cinema e deve ser lançado agora em 2016. Quer ler? Pois leia, não é de todo chato, os bons momentos acabam compensando pelo pequeno tamanho do livro. Pelos bons altos, e muitos baixos, Celular fica num meio termo, sem feder nem cheirar!

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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