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Ex-Machina: Instinto Artificial

Um dos melhores filmes de 2015, mostra como seria o primeiro contato do homem com uma Inteligência Artificial. Na Mitologia Grega, Prometeu é um titã que foi punido por roubar o fogo dos deuses e entregá-lo aos homens, permitindo que a humanidade evoluísse. A história de Prometeu remete à existência de conhecimentos proibidos e da vontade do homem de superar o criador. Esse debate se repete ao longo da história da humanidade: o golem do judaísmo, o homúnculo da alquimia, o monstro de Frankestein de Mary Shelley e os robôs de Asimov, são só alguns dos vários exemplos. Porém, mais do que nunca esse tema esteve tão em voga, afinal estamos cada vez mais perto de criarmos uma entidade inteligente e artificial. Criar uma IA, seria um tipo de conhecimento proibido que deveria ser mantido em segredo? Teria o homem o direito de criar uma máquina inteligente e sobrepujar o papel de Deus? O fato é que a pesquisa em IA, é um dos ramos mais influentes da computação e tentativas de criar máquinas cada vez mais inteligentes é um impulso natural da ciência.

Ex-Machina: Instinto Artificial é um filme britânico dirigido e roteirizado por Alex Garland, utilizando-se do menor orçamento possível e conta a história de Caleb (Domhnall Gleeson), um jovem programador que é convidado até a propriedade de um excêntrico cientista: Nathan (Oscar Isaac). O objetivo? Aplicar o Teste de Turing em Ava (Alicia Vikander), um robô criado por Nathan, para testar se pode ser considerada uma IA.

O conceito de Inteligência Artificial por si só é amplo e bastante complexo o que já dificulta a cunhagem de uma definição exata. Sob aspectos gerais, uma IA deveria ser capaz de: raciocinar, planejar, resolver problemas, se comunicar, ter pensamentos próprios, etc… Existem diversos softwares que apresentam algum tipo de nível básico de IA, sendo mais ou menos inteligentes, com suas capacidades restritas a sua programação. Mas no consenso geral, o conceito de IA é utilizado para: uma máquina capaz de pensar! E onde seria esse ponto de divisão? O que separaria uma IA de um programa atual de uma IA “verdadeira”? É aí que entraria o Teste de Turing.

O Teste de Turing foi proposto por Alan Turing, e implica em testar uma máquina (com perguntas e respostas) e ver quão bem ela consegue se passar por um ser humano, enganando seu interlocutor. Turing afirmava que uma máquina capaz de enganar 1/3 dos interlocutores estaria pensando por si própria. É esse ponto que Ex-Machina aborda de forma sublime.

 

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O Teste de Turing se baseia numa metodologia de perguntas e respostas, mas não existe um modelo padrão para aplicação do teste. O teste foi proposto em 1950, mas mesmo hoje divide a comunidade científica sobre ser ou não um método eficaz. Passar no teste pode ser sinal de uma excelente programação, mas daí afirmar que a máquina teria seus próprios pensamentos é um passo muito grande.

Da mesma forma que Caleb, nós os espectadores somos conquistados por Ava, ou seríamos manipulados? A todo o tempo você se pergunta se Ava é mesmo uma entidade inteligente e carismática ou se ela é apenas programada para interpretar aquele papel. Esse é o ponto no qual o diretor Alex Garland, posiciona sua obra: na linha tênue que separa a capacidade de pensar ou simplesmente de enganar da máquina, numa abordagem fria, cruel e impactante do possível contato que venhamos ter com uma tecnologia dessas.

Além desse ponto de divisão entre o “ser ou não ser” uma entidade inteligente, Ex-Machina: Instinto Artificial, também foca muito na ética envolvida numa situação dessas: uma máquina teria direitos semelhantes ao de uma pessoa; o criador teria quais direitos sobre sua criação?  Os embates do filme são entre um Caleb perdido e refém de seus sentimentos, um Nathan dono de sua obra, um paralelo moderno e deturpado de Victor Frankenstein e uma Ava que anseia pela sua existência, seja ciente disso ou não!

 

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O filme se destaca não só no aspecto filosófico, mas também se supera nos aspectos técnicos. Com a necessidade de fazer um filme de baixo orçamento, Alex Garland se utiliza de um minimalismo acentuado. O longa conta com apenas 3 atores, poucos cenários – a mansão monocromática de Nathan com suas infinitas paredes brancas e portas de vidro, são a paisagem recorrente no filme inteiro – e quase nenhuma trilha sonora. O elemento narrativo é condensado de tal forma, que nem mesmo uma história os personagens têm – quem são, os porquês, os sonhos, nada disso é sequer abordado – eles são simplesmente jogados em cena, para interpretar seus papéis num dos mais influentes filmes de ficção científica dos últimos anos. Mesmo com essa redução extrema de recursos, o filme conta com excelentes efeitos especiais – destaque para os robôs que são apresentados de uma forma extremamente crua e realista – e uma fotografia impecável.

Essa abstração total da história de vida dos personagens, os colocam a pé de igualdade com a máquina Ava, elevando ainda mais o debate sobre o direito de do homem de se comparar a Deus. As comparações com 2001: Uma Odisséia no Espaço não são superestimadas, assim como o clássico de Stanley Kubrick, o filme de Alex Garland também coloca o homem frente a frente com o avanço da ciência a ponto de questionar sua própria natureza. Ex-Machina se destaca não só como um dos melhores filmes de 2015, mas como um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos anos.

 

 

Título Original: Ex MachinaFlecha-4_5

Direção: Alex Garland

Roteiro: Alex Garland

Duração: 108min

Ano: 2015

 

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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