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Fargo

Porque uma série baseada em um filme de 1996, se tornou um dos maiores sucessos de 2014?     Lançado pelos irmãos Joel e Ethan Coen, em 1996, Fargo faturou os Oscars de Melhor Atriz e Melhor Roteiro Original. A trama mostrava a história de um gerente de uma revendedora de carros que ao se ver diante de uma crise financeira, arma o sequestro da sua esposa contratando dois bandidos para o golpe. Mas uma sequência de imprevistos acaba desencadeando uma série de assassinatos em série, que acaba com a calma da pequena cidade localizada no Minnesota.

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O filme dos irmãos Coen foi bem acolhido pela crítica, estiloso e com características bem marcantes (como a fotografia e o roteiro), apresentava uma trama recheada de sangue e de acontecimentos fora do planejado. Considerado um filme feito do “mais puro cinema” por muitos, o fato é que Fargo é uma obra cult e nunca atraiu a grande parte dos expectadores – eu particularmente acho um bom filme, mas um tanto quanto chato. Mas é justamente com essa bagagem que a série chegou a TV pelo Canal FX, e acabou se tornando talvez a maior surpresa da tv americana em 2014.

Fargo é uma livre adaptação do filme de 1996, no entanto não traz o mesmo enredo. Escrita por Noah Hawley e participação na produção dos irmãos Coen, a série conta outra história, com outros personagens – alguns deles baseados nos personagens do longa – fazendo um único gancho com o filme (a maleta escondida pelo personagem de Steve Buscemi, é encontrada por um dos personagens da série), e traz toda atmosfera utilizada no filme: a fotografia, os cenários congelados, e uma boa trama repleta de sangue protagonizada por personagens no mínimo caricatos.

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Fargo conta a história de Lester Nygaard (Martin Freeman) um pacato vendedor de seguros, que tem sua vida transformada ao se encontrar com Lorne Malvo (Billy Bob Thornton), um assassino psicopata com assuntos em Bemidji, que ajuda Lester a se livrar de um velho inimigo de infância. O surgimento de Malvo, inicia uma cadeia de assassinatos, investigados por Molly Solverson (Allison Tolman) e Gus Grimly (Colin Hanks), que tem Lester como principal suspeito.

A trama policial fica num meio passo entre o drama e o humor negro, isso graças a personalidade caricata dos personagens. Na cidadezinha de Bemidji, somos apresentados aos pacatos cidadãos que vivem ao melhor estilo do “Sonho Americano”: personagens fúteis, nos quais sua maior preocupação são suas carreiras ou a máquina de lavar nova do vizinho. Os personagens de Fargo são estereotipados ao máximo, desde o perdedor do tempo de escola que aceita tudo que os outros falam de cabeça baixa com o sorriso no rosto de quem paga seus impostos com assiduidade, passando pela polícia burra e ignorante, que prefere comer bolinhos e se contentar com óbvio, chegando ao psicopata cool que anda pela cidade fazendo amizades, adorado pelo povo e matando sem tirar o sorriso do rosto.

 

Billy Bob Thornton in Fargo

A estereotipação dos personagens é marca registrada em Fargo e cria um clima de carisma, que não é quebrado nem com a grande carnificina a qual somos apresentados. Com isso, surgem personagens marcantes e divertidos e não é possível diferenciar protagonistas de coadjuvantes. Quem são os personagens principais? Lester Nygaard, fraco e influenciável, que vai se tornando inescrupuloso a medida que as coisas vão só piorando? Ou seria a policial Molly Solverson, que claramente é um diferencial dentro do corpo policial estúpido e apático? Lorne Malvo que chega a cidade de Bemidji à negócios e logo deixa uma trilha de sangue atrás de si? – destaque para o ator Billy Bob Thornton, que dá um show a parte ao decorrer da série. Não sabe-se ao certo, mas ao longo da série somos apresentados ao dia a dia desses – e outros – personagens e vamos assistindo uma boa e cativante história policial.
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A trama de Fargo não trata de mistérios a serem resolvidos, ao longo da série somos apresentados à todos acontecimentos sob vários pontos de vista e cronologia diferentes. As mortes acontecem a medida que os planos vão dando errado e o roteiro é tão sangrento e bem trabalhado quanto uma boa história tarantinesca. Não se faz mistério sobre os assassinatos, mas leva o espectador pensar sobre o futuro incerto de todos os envolvidos e se deliciar com as situações grotescas. Apesar do clima de comédia realçado pela personalidade dos personagens, o clima geral da série é dramático, uma crítica ao estilo de vida fútil e desprezível que grande parte da sociedade leva e uma exposição da maldade que habita a natureza humana.

Contada em forma de antologia (temporada com enredo fechado, sem brechas para continuações), Fargo tem 10 episódios e te prende do início ao fim. Não se trata de uma obra com a grandeza de um Breaking Bad ou com a visão e linguagem de um True Detective, mas é uma excelente história, contada de maneira única e final icônico. Vencedora do Emmy, Fargo já tem segunda temporada sendo exibida e promete se tornar uma tendência na TV americana.

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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