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Fear The Walking Dead – 1ª Temporada

O que esperar do Spin-Off de uma das séries mais aclamadas do momento. Apesar de tomar rumos distintos da HQ, The Walking Dead é uma das séries que fazem maior sucesso na atualidade, tanto que acabou rendendo diversos produtos, entre eles uma minissérie paralela: Fear The Walking Dead (e agora uma possível websérie parece já estar na baila).

Enquanto em The Walking Dead os personagens são lançados num mundo pós-apocalíptico dominado por zumbis, Fear The Walking Dead conta contra outros personagens, e vem com a missão de mostrar o início do surto. Passada na Califórnia, a série conta a história dafear-the-walking-dead família Clark, o casal de professores Madison Clark (Kim Dickens) e Travis Manawa (Cliff Curtis), e os filhos de Madison, que se deparam com o surto repentino de uma doença que aparentemente transforma e deixam mais violentos os infectados, e agora precisam procurar um lugar seguro. Ao longo dos episódios ainda se juntam ao grupo a ex-esposa e o filho de Travis, e uma terceira família porto riquenha.

Mas antes de falar de Fear The Walking Dead, o que realmente esperar de uma série de zumbis? Zumbis são um subgênero do terror criados pelo mestre George A. Romero, e como terror espera-se um mínimo de tensão. É preciso sentir esse medo, é preciso passar essa impressão para o espectador, o mundo acabou, nada mais é como era antes, e aquelas coisas na rua podem te matar. Imagine a repulsa de uma pessoa ao se deparar com uma lacraia ou algum inseto asqueroso, e agora transponha isso para um corpo ambulante fétido que pode te matar (e te transformar) no menor deslize. É preciso sentir a tensão ao entrar em lugares escuros, ao virar uma esquina e não saber o que pode encontrar, e acima de tudo é preciso sentir a desolação de que o mundo como conhecemos acabou. E essa atmosfera tão bem explorada na HQ, é falha tanto em Fear The Walking Dead quando na série original.

Uma vez questionado sobre o que achava de The Walking Dead, George A. Romero respondeu: “… é apenas uma novela com ocasionais zumbis.” É fato que a série faz sucesso, tem fãs (diferentes dos da HQ) e que já tem uma atmosfera consolidada. Mas de fato, The Walking Dead não passa de uma grande dramatização chata e forçada, na qual todo o terror e tensão existentes nas histórias de zumbis são deixadas de lado. Com Fear The Walking Dead não é dGeorgeRomero2iferente, os personagens parecem viver em um mundo que mudou pouco e a grande resolução dos problemas é instalar cercas em volta das áreas seguras que está tudo resolvido. Essa parece ser a grande fórmula de The Walking Dead: vamos cercar uma área, deixar uns figurantes deformados de fora, e vamos colocar as pessoas brigando entre si. Pronto, os mantimentos estão sempre lá, aquele clima agradável das casinhas American Dream continuam por perto, e os conflitos são entre os personagens.

Além disso, uma das coisas mais interessantes para se contar sobre o fim do mundo é justamente sobre… A PORRA DO FIM MUNDO! A grande maioria dos escritores que abordam esse tema, o fazem com maestria: Cormac McCarthy, Stephen King, Manel Loureiro, entre outros vários. É prazeroso contar como as comunicações vão cessando, como a lei vai perdendo o poder, como a zona de conforto vai se esvaindo até não mais existir, como aquele lugar banal é agora mais estranho no escuro e como aquele seu vizinho já não é mais uma presença agradável.  Os dois primeiros episódios conseguem introduzir bem essa sensação de que as coisas não vão bem: uma estranha gripe se espalhando, os alunos sendo dispensados das escolas, vídeos amadores de zumbis pipocando na internet, manifestações em diversos lugares, mas a partir do terceiro episódio a série já abandona essa proposta e parece querer se agarrar a temática já consolidada da série original. Todas as possibilidades de histórias a serem contadas são descartadas e substituídas por aquilo que já conhecemos: acampamentos, dramas, e quase nenhum zumbi.

Salvo alguns poucos momentos de tensão, Fear The Walking Dead sofre também com o núcleo familiar no qual se baseou: diversas briguinhas entre marido e mulher, intromissão de ex-esposa e está armado o bacanal, “fodam-se os zumbis eu quero é saber quem mexeu na minha pasta de dentes!!!” Alia-se a isso inimigos clichês, como o “comandante que está acima da lei e deve manter as pessoas seguras”, e você não tem nada de novo nem de interessante para ver. Com relação a interpretação dos personagens, o elenco foi bem escalado: destaque para o viciado Nick Clark (Frank Dillane) que na maior parte da série é o único zumbi que você verá.

Justiça seja feita é fato que em toda história a ser contada, os vilões serão sempre os humanos, mas a franquia The Walking Dead força demais a barra criando conflitos que já deveriam ter abolidos, sendo substituídas pela loucura de viver num mundo destruído. E ficamos aqui torcendo para alguma série realmente boa de zumbis, ou pelo menos por mais cenas em vilarejos desolados, hospitais abandonados, e não dentro de refúgios bem cuidadinhos e limpinhos.maxresdefault (1)

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.
  • Bosta de seriado! Até Z-Nation consegue ser melhor.

  • Fantástico. Parabéns, Ítalo.

    • Maykon

      Bom postado, concordo .

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