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Homem Animal – O Evangelho do Coiote

O que acontece quando um personagem tosco cai nas mãos de um grande escritor? No fim dos anos 80 a DC estava com uma proposta de convocar escritores para criarem histórias com personagens secundários e desconhecidos, retirando do limbo personagens que estivessem mofando nos catálogos – estratégia semelhante a utilizada com o Demolidor de Frank Miller e o Monstro do Pântano de Alan Moore, que acabou fazendo personagens secundários se tornarem populares e sucesso de crítica – Grant Morrison foi um dos escolhidos para essa tarefa e escolheu o Homem-Animal, personagem quaternário da editora, criado no início dos anos 60 e esquecido por lá.

Buddy Baker, o Homem Animal tem a capacidade de copiar as habilidades de qualquer animal perto dele (por meia hora) podendo: adqIMG_20160108_233344uirir super força, voar, nadar, etc… A proposta de Grant Morrison (genial diga-se de passagem) não foi fazer um típico super herói, mas sim um pai de família desempregado que decide de vez virar um super herói e entrar para alguma equipe de respeito. Ao longo da HQ acompanhamos Buddy, com um foco muito maior nos problemas pessoais – crise de identidade, desemprego, filho adolescente, etc… – do que propriamente a vida de combate ao crime. Isso é um dos grandes trunfos de Homem-Animal, que além de se utilizar de bastante metalinguagem – diálogos entre o herói e o leitor, participação de personagens de fora do mundo das HQ’s, etc… – foi mostrar de forma realista como funciona o mundo dos super-heróis, onde os figurões (como Batman e Superman) são considerados verdadeiros ícones pop, enquanto os secundários tentam correr em busca de espaço e emprego – abordagem muito semelhante ao que foi feito recentemente com o excelente anime One Punch Man – Outro aspecto abordado na HQ, que se tornou marca registrada, foi a luta pela defesa e direitos dos animais. Pela primeira vez uma HQ abordava esse tema, de forma a tentar conscientizar o público sobre esse assunto.

Homem-Animal é uma boa HQ? Sim é, boa! Vale ressaltar que estamos tratando de um material da década de 80, onde os traços tendiam a ser parecidos (e ultrapassados se considerar com a tecnologia atual) e as cores são desbotadas. O roteiro só não é datado graças a genialidade de Grant Morrison, mas não foge dos clichês e tende a manter o nível família – vale ressaltar que na época, as HQ ainda eram um produto destinado majoritariamente ao público infantil. Em todo o volume, apenas duas histórias realmente são boas – apesar de a narrativa e os conflitos do personagem se manterem legais em todo o volume.

A despeito de qualidade duas histórias em particular devem ser destacadas: A Morte dos Máscara Vermelha, que mostra um supervilão idoso em decadência e todo problema psicológico que um super poder maligno pode gerar numatumblr_mj3yznD0zu1rkffkzo1_500 pessoa – ele só queria poder voar… E outra história – a melhor da edição sem dúvidas – O Evangelho Segundo o Coiote, onde somos apresentados à uma clara versão do personagem Coyote (Looney Tunes) que vaga pelo mundo sendo assassinado e ressuscitado logo em seguida infinitas vezes. A história é uma clara crítica ao modo como o homem encaras a presença dos animais no mundo, como algo corriqueiro e sem importância, a crítica vai desde os maus tratos ou o desleixo com os atropelamentos, chegando à indústria televisiva que coloca animais em eterno conflito entre si (Pernalonga, Papa Léguas, etc…) – numa aula de metalinguagem, essa HQ coloca Deus como o cartunista e o Coiote numa figura renegada que vaga pelo mundo em busca de redenção.

Enfim é isso, Homem-Animal, O Evangelho do Coiote da Panini está em catálogo pelo selo Vertigo e está nas bancas esse mês. O encadernado reúne as histórias The Animal Man 1 a 9 (a fase de Grant Morrison vai até a edição 26).

 

 

 

Roteirista: Grant Morrison

Arte: Chaz Truog, Doug Hazlewood, Tom Grummett

Selo: Vertigo

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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