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Jonathan Strange & Mr. Norrell

Uma mistura de Jane Austen, Charles Dickens e Tolkien, vencedor do Hugo Award, com milhares de obras vendidas e elogiado pela crítica, o livro Jonathan Strange & Mr. Norrell de Susanna Clarke, é uma obra de fantasia que brinca com os conceitos da literatura clássica e dos romances ingleses que marcaram época, e nos leva em uma aventura por Londres e outros reinos encantados.

A magia desapareceu da Inglaterra a muito tempo, e os únicos magos operantes são os magos teóricos, que apenas estudam a história da magia. Eis que surge Mr. Norrell, mago prático com planos ambiciosos de trazer a magia de volta e colocá-la no papel de relevância que teve outrora. Arcaico, metodista e egoísta ao extremo, Mr. Norrell tem planos de ser o único mago do país, mas não contava com o surgimento de outro mago: o impetuoso Jonathan Strange, que trata a magia com muito mais flexibilidade e praticidade, e tem planos muito divergentes dos de Mr. Norrell. Ambos estão envolvidos em uma profecia que remete aos tempos do Rei Corvo – ser ancestral que trouxe a magia para a Inglaterra – que pode trazer a ruína de ambos e liberar forças terríveis no mundo.

A trama de Jonathan Strange & Mr. Norrell se passa por volta de 1800 e somos apresentados a toda a comunidade inglesa típica da época. Não se trata de uma trama cheia de reviravoltas e personagens misteriosos, se trata do dia a dia dos dois magos em meio a sociedade em que vivem. O humor britânico típico, as normas de etiqueta da época e relações sociais estão todas presentes no livro, todos detalhes abordados com primor.

Ao invés de apelar para uma narrativa rápida e direta, a escritora Susanna Clarke nos leva a conviver com os personagens, passando por todas as situações típicas da época, uma verdadeira viagem no tempo. Acompanhamos Strange e Norrel por aproximadamente uma década, e nesse “tempo” assistimos eventos marcantes como a guerra contra a França e a famosa Batalha de Waterloo, e conhecemos personagens históricos importantes, como o Duque de Wellington e o famigerado poeta Lord Byron.

Os personagens são marcantes e bem desenvolvidos. Mr. Norrell é um típico velho chato e rabugento e são cansativas e irritantes suas aparições na obra (propositalmente, afinal é um personagem de grande importância) por outro lado é Jonathan Strange que esperamos ver, para fazer sua magia e salvar o mundo – embora a magia seja mais perigosa que aparenta.

Além dos dois cavalheiros, somos apresentados a toda a sociedade inglesa que compõe seu círculo social, além de personagens históricos e célebres. As mulheres têm destaque especial, Lady Pole e Arabela Strange são duas personagens carismáticas, fortes e de papel fundamental dentro da história. Destaque a parte para o “vilão” da trama, oriundo do mundo das fadas: O Cavalheiro dos Cabelos de Algodão. Tal personagem foi muito bem abordado, apresenta o mal em essência, diferente da maldade humana, uma maldade mágica, que muito mais se assemelha a loucura e a falta de limites, um personagem marcante.

Ao contrário das obras de fantasia atuais, em Jonathan Strange & Mr. Norrell não existe um sistema de magia, ela simplesmente está lá para ser feita por quem é capaz, da mesma forma que não existem limites aparentes do que é possível ser feito: florestas, montanhas e rios podem ser mudados de local, estradas podem ser moldadas do nada, e seres inanimados (defuntos, estátuas, etc…) podem ganhar vida e terem opiniões próprias. A magia em Jonathan Strange & Mr. Norrell é passível de fazer coisas impossíveis e absurdas, típico das magias dos contos de fada. O mundo mágico abordado mostrado por Susanna Clarke é misterioso e intrigante, meio louco, trágico, espectral e místico, o mundo das fadas faz jus à paisagem alheia ao nosso mundo, que tem toda sua atmosfera moldada pela magia.

Outro fator interessante em Jonathan Strange & Mr. Norrell, são as notas de rodapé, “escritas” por personagens do livro numa espécie de metalinguagem, apresentam contextos e passagens do passado– algumas tiradas dos livros mágicos – da época em que a magia ainda reinava absoluta no mundo.

De todo, só acho que faltou um desfecho mais objetivo, todo o enredo gira em torno da profecia, e no final das contas não se sabe ao certo como ficou a relação da magia na “nova” Inglaterra. O livro se apega no dia a dia dos personagens e segue essa vertente até o final, atingindo o clímax só nas últimas páginas.

É disso que se trata Jonathan Strange & Mr. Norrell, uma boa obra de fantasia que presa em trazer um bom enredo típico de um conto de fadas moderno e se sobressai como uma obra bastante original em meio ao oceano de obras de fantasias existentes. Se você é fã do humor britânico, e gosta de aventura e magia, então não pode deixar de conferir.

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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