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Joyland

Um livro que contém um serial killer, fantasmas, adolescentes, mas é tudo menos uma história de terror. O que dizer de Stephen King? O cara é um dos escritores mais renomados dos EUA, sucesso de vendas, com inúmeras adaptações pro cinema e que consegue manter um alto número de lançamentos anuais. Considerado um dos maiores expoentes da literatura de horror, o fato é que a escrita de King é tão variada e com uma personalidade tão forte, que cada livro lançado promete uma surpresa diferente. É comum que você leia algum escritor por gostar de seu estilo e sempre saber o que esperar, mas com King isso não ocorre, criar expectativas sobre algum lançamento é caminhar por terreno instável, cada livro do autor traz um enredo completamente diferente, as vezes em estilos diferentes, fato que faz dele um dos melhores escritores da atualidade. Mesmo sendo vendido como uma história de terror, Joyland é algo bem distante disso, um livro (de drama talvez?) que se assemelha aos clássicos romances sobre a adolescência/maturidade.

O livro conta a história de Devin Jones, que de coração partido pela termino do “namoro” resolve trabalhar num parque de diversões durante o verão, o Joyland. Além das várias amizades marcantes que Devin irá fazer, outro acontecimento vai mudar a sua vida: a existência de um trem fantasma mal assombrado no qual o espírito de Linda Grey, morta por um serial killer, está aprisionado. Típica história de Stephen King certo? Errado!!! Joyland NÃO É UM LIVRO DE TERROR e aqui já vai um spoiler – o qual eu acho necessário a pessoa saber antes de ler o livro – o fantasma não participa da história, e NÃO APAREÇE no romance.

Porra? Para que eu vou ler uma história de fantasmas se não tem fantasmas? É aí que está, Joyland é um livro sobre esse momento conturbado da vida de Devin Jones: a adolescência, a perda do primeiro amor (não por uma tragédia, mas porque mulheres são loucas mesmo), o impacto das amizades e dos caminhos sem volta que a vida toma. Joyland é um livro tranquilo e bastante triste, não por algum acontecimento trágico, mas porque a vida simplesmente nunca é como a gente deseja.

Narrado por um Devin Jones já velho, o livro conta sobre o ano em ele trabalhou em Joyland, aqui o dia a dia dos parques de diversões e do impacto que a economia (e a concorrência de gigantes como a Disney) causou nestes, praticamente extinguindo-os é narrado num clima de nostalgia que chega a doer. Os personagens (sempre marcantes e bem desenvolvidos em qualquer obra de King) são profundos e compartilham dessa triste sina que é o destino. Os melhores amigos de Devin (que permaneceram em sua vida o máximo possível), mostram como as amizades são importantes para nós, e a convivência passageira com personagens como Mike (portador de uma doença rara) e sua mãe, mostram como a vida pode ser intensa mas efêmera.

Ler Joyland é uma experiência intimista, onde os sentimentos e eventos do cotidiano são os pontos mais importantes do enredo. Sem querer comparar as obras, e os personagens que são completamente opostos entre si, mas a gente vê em Devin um pouco de Holden Caulfield, protagonista de O Apanhador em Campo de Centeio, um dos maiores clássicos da literatura mundial, que está muito mais preocupado em narrar os sentimentos do personagem do que na trama propriamente dita. É disso que se trata de Joyland, a trama que leva Devin Jones investigar sobre o assassino de Linda Grey, é superficial (com algumas falhas de sequência até) mas não é de longe a proposta do livro, ela é na verdade apenas um pretexto para Devin divagar sobre a vida adulta e como os acontecimentos da adolescência são marcantes: como o primeiro amor que nunca ninguém esquece, e como pessoas que marcaram nossa vida para sempre nunca mais serão vistas.

Muita gente não gostou de Joyland por compará-lo a grandes clássicos do escritor ou por acharem se tratar de um livro de terror, mas Joyland é um romance intimista nos moldes de A Visita Cruel do Tempo, de Jennifer Egan ou Terra dos Homens, de Antoine de Saint-Exupéry, que ainda que bem mais simples que esses clássicos, consegue passar sua ideia e divagar de forma bonita e triste sobre a passagem do tempo e seu impacto nas nossas vidas!

 

 

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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