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A Maldição de Domarö

Mistérios, desaparecimentos, a força da natureza… Um terror insular pelas mãos do Stephen King sueco. John Ajvide Lindqvist conquistou fama já no seu romance de estreia, Deixe Ela Entrar, que falava da amizade entre um garoto e entre uma garota vampira, foi muito elogiado pela crítica e acabou virando filme – um sueco e um remake hollywoodiano – e logo de cara, o escritor sueco já foi comparado ao mestre do terror Stephen King. Agora em A Maldição de Domarö, o escritor escolhe o mar e o sentimento de culpa como os grandes vilões da história!

Comparações entre autores é muito utilizada para alavancar as vendas: George Martin / Tolkien, Rick Riordan / J. K. Rowling, etc… mas quase nunca se refletem na obra de fato, pois cada escritor apresenta uma narrativa bem diferente do outro. A constante comparação entre Lindqvist e Stephen King no entanto não é por acaso, a escrita dos dois é realmente muito parecida, e se eu não soubesse quem era o autor do livro teria chutado em King: histórias de horror atípico, uma grande construção dos personagens, flashbacks, e sim, a enrolação característica que deixa suas obras muitas vezes maçantes de se ler, são características dos dois escritores. A estrutura narrativa de Lindqvist é exatamente a mesma do escritor americano.

A trama conta a história de Anders que acaba tendo sua vida transformada após o desaparecimento de sua filha na ilha de Gävasten. Anos depois, divorciado e entregue as bebidas, Anders volta à fatídica região do desaparecimento e acaba descobrindo que Maja não é o único mistério que abriga a região: desaparecimentos que remontam desde os primórdios de Domarö, alucinações e um estranho “comportamento” do mar indicam que a região esconde algo bem tenebroso.

John Ajvide Lindqvist escreve uma história que explora os passados de seus personagens e do vilarejo. O passado de Anders e seus amigos – aquele tipo de história em que um grupo de amigos guarda um segredo oculto por todos – toma muitas páginas do livro e é de pouca importância de fato para o enredo como um todo, já o passado de Domarö é de vital para a história e é lá que os mistérios são desvendados. Se em alguns momentos a narrativa se faz arrastada, em outros são justamente os detalhes que servem para fazer a história fluir e criar a atmosfera necessária.

Dois fatores contribuem e muito para a atmosfera do livro: o frio e o gelo, cenário que é conduzido de forma magistral por Lindqvist, que sem precisar ficar detalhando toda hora, consegue deixar a cargo do leitor imaginar o dia a dia dos habitantes de Domarö e sua vida à beira do mar; e o mar propriamente dito. Se baseando em algum tipo de folclore europeu – com a ilha de Gunnilsöra, e os spiritus – ele faz do mar uma entidade onipresente, que dita todas as regras e está sempre à espreita. Além de uma excelente história sobrenatural, o autor ainda faz um paralelo com a ameaça que o mar é no mundo real, o oceano com todos os seus segredos e com todas as vidas que já levou – o pai de Lindqvist morreu afogado, e A Maldição de Domarö é uma espécie de “desabafo”!

A Maldição de Domarö é um livro denso sobre a perca, a solidão e os traumas, e sobre a dificuldade de lidar com isso. Além do lado psicológico bem forte no livro, não deixa de ser um excelente terror sobrenatural que funciona de forma bastante original!

 

“No cemitério em volta da igreja em Näten há uma âncora. Uma âncora enorme, feita de ferro fundido, com uma placa memorial:

EM MEMÓRIA DOS QUE SE PERDERAM NO MAR

Depois da tempestade incompreensível, a âncora sumiu. Uma trincheira recém-cavada se estendia desde o local onde outrora ficava a âncora até a orla. Como se a âncora tivesse sido arrastada por sua corrente, arrastada através da terra como um arado, deixando um sulco atrás de si antes de desaparecer dentro do mar.

Fosse o que fosse, o que estava preso à âncora tinha se libertado à força. Ou tinha sido libertado.”

 

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Título Original: Människohamn

Autor: John Ajvide Lindqvist

Ano: 2004

Páginas: 493

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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