Menu

O Lobisomem

 

Enquanto Edward brilhava na luz do sol, e Jacob desfilava pela tela com seu corpinho sarado, Lawrence Talbot se esconde desesperado na mansão de sua família, com o sangue derramado na noite anterior em suas mãos.Essa seria uma boa forma de colocar como O Lobisomem contrasta com o cenário do cinema atual. Ultimamente a telona foi invadida por uma legião de monstros bonzinhos, e liderados por Crepúsculo aparece uma porção de filmes e séries que colocam criaturas das trevas, como os mocinhos da história. Em O Lobisomem acontece o oposto, com uma boa produção e mantendo o pé na estrutura dos clássicos, Joe Johnston resgata a imagem dessas criaturas, que foram meio apagadas nos últimos anos.

Lawrence Talbot (Benicio Del Toro), é um ator, que retorna a sua casa depois de vários anos de ausência, para investigar o desaparecimento do irmão, e chegando lá, descobre coisas terríveis sobre um possível monstro rondando o lugar. Sondado pela presença confortável de sua cunhada Gwen (Emily Blunt), e pela figura misteriosa e opressora de seu pai Sir John Talbot (Anthony Hopkins), Lawrence começa a descobrir coisas do seu passado, que podem mudar sua vida para sempre. Nessa relação áspera com o pai, Lawrence passa a ser investigado pelo Inspetor Abberline (Hugo Weaving), que desconfia que Lawrence seja louco e possa ter matado o próprio irmão.

O roteiro dividiu bastante a critica, mas de uma forma ou de outra acertou em não inovar demais. Apostando na boa  e velha receita, se mantém nos trilhos como um bom filme de terror tradicional e não falha nesse aspecto. O filme tem uma dosagem alta de violência, membros retalhados, e vitimas dilaceradas são uma constante no filme, que em momento algum tem medo de espantar o grande público, com demonstrações bastante gore.Wolfman-TP_0105R

Muitas controvérsias surgiram em cima do roteiro, sobre a trama batida, sobre os personagens bem ou mal desenvolvidos, enfim… mas não podemos deixar de comentar o ponto alto do filme: a ambientação. Muitos problemas surgiram perto do lançamento do filme, o que deixou muita gente apreensiva, mas no fim das contas o que se viu foi um filme perfeitamente bem finalizado. O cenário é soberbo, e tudo contribui para passar a alma gótica da história ao espectador: a velha mansão dos Talbot, a floresta sombria, Londres e sua eterna neblina, a lua cheia… Tudo isso contribui para o universo abordado no filme, com os ataques noturnos da criatura sendo algo memorável. Outro ponto que o filme acerta em ir contra a maré, foi em optar em não usar CGI para construir o monstro. A CGI é a técnica usada pela maioria dos filmes atuais, na concepção de criaturas, mas em O Lobisomem, Joe Johnston, preferiu usar a clássica maquiagem, e o efeito foi surpreendente: a criatura realmente parece real, tanto na locomoção, quanto nas expressões faciais, e passam todo o horror, medo e insanidade vividos pelo personagem.

O Lobisomem pode não ser um filme que vai entrar para a história, mas grava seu nome, justamente por ousar em não ser ousado. Bom saber que em tempos que lobisomens e vampiros arrancam suspiros enamorados de adolescentes no cinema, monstros ainda podem arrancar cabeças!

 

Título Original: The Wolfman

Ano: 2010

Direção: Joe Johnston

Roteiro: Curt Siodmak (1941), Andrew Kevin Walker, David Self

Duração: 102min

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

Parceiros

Video em Destaque

Nintendo Switch