Menu

O Nevoeiro

A sociedade é formada por um grupo de pessoas que compartilham ideologias, costumes, gostos, propósitos e são regidas por aquilo que chamamos de lei, ou mesmo ética!Mas o que acontece quando a sociedade perde o amparo da lei, e é assolada pelo pânico? É essa a resposta obtida, por quem assistiu: O Nevoeiro.

Esse é mais  um dos contos de Stephen King que chegou aos cinemas. Com adaptações fracas e insossas e outras boas e magníficas, e é sempre uma incógnita saber o que se esperar delas, e de O Nevoeiro? Dirigido por Frank Darabont –  diretor da série The Walking Dead – é sem sombra de dúvida uma das melhores adaptações do autor para o cinema, ao lado de A Espera de Um Milagre e Um Sonho de Liberdade, todas dirigidas pelo mesmo Darabont.

O filme conta a história de um vilarejo que depois de uma tempestade é atingido por estranho nevoeiro. Até aí tudo bem, o problema é que esse estranho fenômeno traz consigo uma horda de criaturas bizarras e letais, que mata qualquer um que se aventura a perambular pela névoa, com isso um grupo de pessoas ficam presas dentro de um supermercado, e é aí que os problemas começam. Paira no ar uma singela dúvida: Onde é mais seguro? Do lado de fora, na névoa? Ou dentro do mercado, junto com outras pessoas?

King que adora suscitar o poder psicológico the-mist– como em Carrie a Estranha ou O Iluminado – encontra em Darabont um diretor perfeito. Os monstros acabam ficando em segundo plano, e a grande sensação do filme é ver como a sociedade vai se degradando com o passar do tempo e sem respostas, e tudo é conduzido meticulosamente. No início todo mundo é bom e fraterno, mas à medida que as horas vão passando a tensão vai aumentando e o pânico começa a afetar a rotina das pessoas. O suspense é o ponto alto do filme, e o destino incerto das pessoas que fugiram do supermercado fica martelando a cabeça do expectador – o que aconteceu? Será que elas estão vivas? – por outro lado o destino mais que certo de algumas – um tanto quanto violentos – traz de volta o medo de se arriscar do lado de fora. Em uma batalha constante do bem contra o mal, até a religião é criticada ferozmente – mostra como o ser humano é frágil quando se vê perante o desconhecido buscando respostas em qualquer lugar – quando a Sra. Carmody (Márcia Gay Harden) uma fanática religiosa com devaneios apocalípticos, passa de louca, a líder espiritual criando sua própria seita dentro do supermercado em questão de horas.

A direção não acerta só no roteiro, câmeras bem trabalhadas, e criaturas bizarras consagram Darabont, que tem ao seu lado um elenco que superou as expectativas. Thomas Jane – o fraco Frank Castle de O Justiceiro – surpreende no papel de David Drayton, um pai que tem que fazer de tudo para proteger o filho, inclusive disfarçar seus próprios temores com relação a sua esposa e mãe do garoto. Ao seu lado estão Laurie Holden que é Amanda Dunfries e Toby Jothe-mist-2007nes que da vida a Ollie Weeks, um gerente do supermercado que mostra que quando a situação aperta é mais fácil matar do que perder a vida. Em meio a todos esses bons personagens quem acaba roubando a cena é Márcia Gay Harden, que como Sra. Carmody dá um show de interpretação.

Outro fator que não pode ser ignorado é a influência que a literatura de H. P. Lovecraft tem na escrita de Stephen King, O Nevoeiro também acaba se tornando um excelente filme para os fãs Lovecraftianos, que além de todo o horror desconhecido – insetos com rosto humano e tentáculos – tem como brinde a visão de um gigantesco monstro  tentacular que pode só pode ter nascido da mente de Lovecraft.

O Nevoeiro não é só a melhor adaptação de um conto de Stephen King, mas é também um dos melhores filmes de suspenses ou sobre a sociedade já feitos, e Darabont além de dirigir dá seu toque de mestre no final do filme, criando um desfecho – que não existe no conto original – tão forte e poderosamente trágico  que vai corajosamente contra as tradições de Hollywood, e vai surpreender qualquer um que assistir.

Pra encerrar vai aí um dialogo do filme que resume toda a obra: “As pessoas são boas. Somos uma sociedade civilizada…”, “…Claro. Contanto que as máquinas funcionem e o 190 atenda. Tire isso, deixe tudo mundo no escuro e assustado e as regras se vão.

 

 

Título Original: The Mist

Direção: Frank Darabont

Roteiro: Frank Darabont, Stephen King (Conto)

Duração: 126min

Ano: 2007

 

 

 

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

Parceiros

Video em Destaque

Nintendo Switch