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O Primeiro Cliente (Conto)

Contan estava limpando o balcão enquanto conversava com algum guerreiro nortenho que limpava a lâmina de uma grande espada,quando soou uma pancada na porta seguida de um resmungo. PÁ!

– Aaaaiii.

Um dos ajudantes de Contan – de raça desconhecida – correu para abrir a porta.

– As molas da sua porta estão estragadas… – reclama o visitante, que se assusta com o ambiente. Em contra partida, os ocupantes do recinto olham para o estranho que acabou de entrar: magro, vestido uma estranha calça azul, e vestes de couro que em nada se assemelhavam à uma armadura, na cabeça usava um chapéu diferente de tudo que já tinham visto. Definitivamente não se tratava de um guerreiro.

– ENTRE VIAJANTE!!! Não fique aí parado, faça-nos companhia, e conte-nos sua estória!!!

Entre conversas e bebidas, o viajante contou-lhes uma estória…

 

“Mary colocou quatro copos e uma garrafa de Whisky na bandeja, e levou até o fundo do Saloon, depositando-a sobre a mesa atrás do piano, onde Mrs. Taylor tocava mais uma das velhas canções. Thomas Custer e Harry “Killshoot” Davis encheram seus copos, seguidos do jovem Rolland Bell, William Custer pegou a garrafa, enquanto mantinha a mão dentro da calcinha de uma prostituta, que estava sentada em seu colo. Mary saiu rapidamente, ignorando o beliscão que Thomas Brenston “Custer” lhe aplicou no traseiro. Ela sentia arrepios perto daqueles homens, e não era para menos, reunidos ali naquela mesa, estavam mais de $ 20.000 em recompensa!

Quatro entre os dez bandidos procurados pelo governo, estavam ali no Saloon de Mary, e nem o Xerife Thompson, nem ninguém poderia fazer nada para impedir, o que quer que eles estivessem tramando. Para a sorte do povo de Porky’s Ville, os planos dos nefastos pistoleiros, não incluíam a pequena e pobre província.

Killshoot Davis foi o primeiro a falar:

– Aproveitem meus caros, pois partiremos essa noite!

– Qual exatamente é o trampo? – perguntou Thomas Custer

– Vamos para noroeste, a uns 100km daqui…

Rolland Bell consultava o mapa que ele sempre trazia consigo.

– Não há nada lá, absolutamente nada – assegurou correndo com os dedos, a região citada por Killshoot Davis – nenhuma cidade, nenhuma rota de diligência, nada, apenas mato.

Todos olharam questionando Killshoot, que continuou:

– A mais ou menos uns 5 meses, eu estava nessa região, no encalço de Jonathan Vlad, e persegui o cão até essa região que vos falei. Lá tem um bosque, fica meio isolado entre dois morros, onde Vlad tentou se refugiar, foi onde eu o surpreendi e esquartejei o babaca.

Os outros prestavam atenção, mas sem nenhum interesse na história.

– O fato é que quando eu estava indo embora com a cabeça do sujeito, escutei um apito que gelou meus ossos…

– Que merda cara, era o apito do Guardião Apache dos Ventos do Norte – ironizou William Custer, arrancando risadas de todo mundo, inclusive da prostituta em seu colo.

– Não babaca, era um apito de trem, de uma maldita locomotiva.

– Você não estava bêbado Davis?

– É Killshot para vocês imbecis, e não, não estava bêbado porra nenhuma!

– A ferrovia mais próxima fica a mais de 250km da região – analisou Rolland Bell.

– É aí o “xis” da questão, não é uma ferrovia regulamentada…

Todos ficaram perplexos, com as implicações que isso podia significar.

– O que você está sugerindo? – interrogou William Custer, retirando a mão do meio das pernas da mulher, lambendo os dedos satisfatoriamente.

– Estou sugerindo que o que quer que este trem esteja carregando, deve ser algo de muito valor.

– Mas quem garante que num é clandestino?

Todos deram gargalhadas com a observação de Rolland.

– Ta achando que isso aqui é o que? A África? – mais risadas – Isso é a porra da América cara! Você pode entrar com drogas aqui sem que ninguém perceba, mas por Deus, nem que a vaca da sua mãe, dê a boceta para todos os federais, você consegue colocar para rodar uma locomotiva clandestina – ironizou William Custer.

Killshoot Davis recobrou o foco da conversa:

– O fato é que, o que quer que esteja sendo carregado naquele trem, o governo não quer que ninguém saiba da sua existência, realçando o fato de que deve ser algo bem valioso.

A conversa rendeu até altas horas da noite, e Mary teve que ficar esperando sozinha no Saloon, sem coragem de reclamar.

– Meus Deus senhores, olha a hora, a senhorita Mary tem que fechar o Saloon – observou William Custer.

Ouve algumas risadas, e foram saindo um por um, ficando para trás apenas William Custer.

– A senhorita trabalha até altas horas e merece seu descanso, acho que podemos subir e te faço relaxar até os ossos – Custer espetou uma faca no balcão, e passou as mãos nas coxas de Mary, levantando um pouco a saia – o que acha?

– Po… por favor não – gaguejou já em prantos a senhorita Mary, cujo pai estava doente e não podia trabalhar.

– Tudo bem, você é quem sabe – Custer pegou a faca, e a embainhou, e depois se retirou do Saloon cortesmente.

Mary enxugou as lágrimas, sabia que tinha saído no lucro. Tinha saído ilesa, da presença de quatro dos maiores demônios do oeste, mesmo sem o pagamento pelo consumo…

– Senhorita Mary perdoe-nos, somos meio voados – Thomas Custer tinha entrado correndo, fazendo as portas duplas baterem apaticamente, enquanto colocava a mão na jaqueta em direção ao coldre.

– Não por favor!

Ela levantou as mãos em direção ao tiro… que nunca foi disparado.

– O que foi senhorita? – perguntou um Thomas Custer encabulado. Depois de uma pausa, ele jogou algumas moedas de ouro no balcão – A conta e a gorjeta! – e saiu com um sorriso lindo estampado no rosto.

“Como esse mundo é irônico”, pensou consigo mesma Mareley!”

 

 

– É ISSO ??? – perguntou Contan –  JÁ ACABOU ??? ISSO NÃO É UMA ESTÓRIA!!!

– O que é um trem? – perguntou um dos ajudantes da taberna.

– Sim meus caros é isso por enquanto. Talvez um dia eu mesmo, Killshoot Davis lhes conte o final. Mas para isso eu preciso encontrar a saída daquele maldito trem… – e dizendo isso saiu por onde entrou, dando um tapa na porta que ficou abrindo e fechando intermitentemente como Contan nunca tinha visto antes.

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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