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O Regresso

A jornada de Hugh Glass pela sobrevivência e de Leonardo DiCaprio pelo Oscar. Um dos filmes mais esperados do ano pelo fato de poder trazer a tão almejada estatueta a Leonardo DiCaprio, mas que transcende em muito isso. Um filme contemplativo, onde Leonardo DiCaprio, apesar de protagonizar é apenas uma peça nessa bela história, que é um épico de sobrevivência e um ode à inflexibilidade da natureza.

O filme é baseado num personagem real da cultura americana, cuja história ganhou nuances folclóricas: Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) um peleiro em campanha que, após ter escapado com vida de um ataque indígena foi atacado por um urso – o qual conseguiu matar com as próprias mãos. Deixado entre a vida e the-revenant-04a morte, ele ainda vê seu filho ser morto por John Fitzgerald (Tom Hardy) e é abandonado para morrer. Com uma força de vontade inigualável, Hugh Glass sobrevive e vaga pelo território hostil em busca de vingança.

Será que dessa vez sai a tão sonhada estatueta? Talvez pelo conjunto do trabalho do ator – que tem 5 indicações e tantos outros trabalhos fantásticos sem reconhecimento pela academia – e pela insistência o prêmio, saia. O fato é que Hugh Glass não é o melhor papel do ator, não por culpa de DiCaprio, pelo contrário, em matéria de interpretação ele dá um show, dando vida a toda agonia e dor sentida por Glass em sua jornada, mas o fato é que Hugh Glass é um típico sobrevivente no deserto gelado: introspectivo e de poucas palavras, deixando-o em desvantagem para concorrer com outros atores.

O aspecto técnico do filme é impecável e O Regresso é bem coroado em cada quesito: a trilha sonora é simples (sem canções) fothe-revenant-leo-dicaprio-2cada em ruídos e acordes orquestrados que criam um clima lúgubre e uma atmosfera de resignação no ar. A fotografia é coroada pelas belas paisagens naturais e as belíssimas cenas do filme, onde todo esplendor do cenário é captado e retratado como se fosse um reino alheio à civilização. A coreografia das batalhas é sublime e ricamente detalhada – destaque para a batalha inicial, que me relembrou os bons momentos de Gladiador.

Apesar de ser a história de Hugh Glass, O Regresso se distancia bastante de seus personagens principais para criar um retrato cruel do mundo, onde não apenas Glass tem uma missão, mas cada um dos sobreviventes que perambulam pela região. O longa cadencia as excelentes cenas de contemplação da natureza selvagem, com a jornada de seus personagens – Glass, Fitzgerald – que de certo modo é um personagem mais intthe-revenant-trailer-screencaps-dicaprio-hardy35eressante e mais bem construído que o próprio Glass – e os índios vagando em sua eterna campanha contra o homem branco.

É um filme longo, parado e quase mudo – que traça um paralelo com a força inexorável que a natureza é – feito para ser absorvido com prazer e calma. De toda forma, tende a ser cansativo, as cenas de ação são raras e quase tudo se baseia na jornada dos sobreviventes pelas regiões frias. Se você se sentiu cansado com a enrolação de Tarantino em Os Oito Odiados, não é em O Regresso que você irá relaxar.

É a primeira vez que me deparo com um trabalho de Alejandro Iñarritu, diretor que vem sendo bastante elogiado nos últimos anos, mas como primeira impressão valeu a pena. Não consigo deixar de comparar o meridiano gelado de O Regresso com um outro meridiano pelo qual muito me encantei, e me faz imaginar que na atualidade Iñarritu seria o melhor diretor para um dia dirigir Meridiano de Sangue de Cormac McCarthy.

 

Nome Original: The RevenantFlecha-4_5

Direção: Alejandro González Iñarritu

Roteiro: Alejandro González Iñarritu; Mark L. Smith.

Duração: 156min

Ano: 2016

 

 

 

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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