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Os Próprios Deuses

E se em sua busca por partículas da origem do universo, encontrássemos um elemento de outro universo?  Isaac Asimov, autor de mais de 500 obras, pioneiro do termo “robótica”, detentor de três prêmios Hugo e dois Nebula, Asimov é de longe um dos maiores escritores de ficção-científica da história da literatura. O autor de Eu, Robô e O Homem Bicentenário – obras, que fizeram sucesso com suas adaptações para o cinema – entre outras pérolas do Sci-fi, Asimov tem com Os Próprios Deuses uma de suas obras prediletas.

Os Próprios Deuses, conta a história de um físico que “descobre” a existência de um universo paralelo, e através da interação de matéria entre os dois universos, cria uma máquina capaz de gerar energia infinita de graça…  mas tudo tem um preço não tem?

O livro é separado em três partes, e cada qual conta a história sob um ponto de vista diferente. “Contra a Estupidez, os Próprios Deuses lutam em vão!” Citação do filósofo alemão Friedrich Schiller, que Asimov usou para dividir o livro.

Contra a Estupidez…

È a primeira parte do livro e conta como Frederick Hallam descobriu um elemento químico inexistente – e impossível de existir – no nosso universo, e dessa forma “encontrou” outro universo. Tal fenômeno permitiu a Hallam construir a “Bomba de Elétrons” que através da troca de elementos entre os universos gera energia infinita para a Terra. Também conta como o arrogante e prepotente Hallam, passou por cima de tudo e de todos, que tentaram se opor a ele, ignorando qualquer alerta sobre a periculosidade da máquina.

… Os Próprios Deuses…

Se passa no Para-universo, e conta as motivações e processos que levaram os para-homens construírem a bomba. Interessante pois se trata de um ponto de vista completamente inverso ao do nosso universo, num mundo onde as leis da física são completamente diferentes das nossas – se você se pergunta como seria um outro universo, aqui é apresentado uma alternativa interessante, com um universo bidimensional (e não tridimensional como o nosso). Por mais que a ideia seja em si excelente, é um trecho bem arrastado no livro, afinal as criaturas do Para-Universo são muito estranhas, e fica difícil criar uma imagem mental da natureza delas – eu juro que imaginei em um monte de gelatina multicolorida, que evolui para pedras!

… Lutam em Vão …

Conta a história de Denison, que depois de ter sua carreira destruída por Hallam, se muda para a Lua, e lá acaba fazendo uma grande descoberta com relação a “Bomba de Elétrons” e os “Universos Paralelos”. De longe o capítulo mais divertido do livro e o mais próximo de um cenário clássico de exploração espacial. A colônia construída no subterrâneo da Lua com sua baixa gravidade, é muito interessante e a narrativa de Asimov consegue passar a sensação de como seria morar lá. Outro destaque vai para a superfície Lunar que é muito bem explorada e pela solução encontrada por Denison para o problema da bomba, que faz do livro uma obra clássica.

Com uma excelente história e um maravilhoso final, Os Próprios Deuses é uma obra cadenciada e se mantêm no mesmo ritmo do início ao fim – com uma leve recaída na passagem pelo Para-Universo. O grande trunfo é justamente a narrativa de Isaac Asimov, além de escrever ficção tem uma variada galeria de obras científicas, o que torna sua obra verossímil e embasada, e os aspectos científicos são reais e bem utilizados, se trata literalmente de  ficção científica escrita por um cientista.

 

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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