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Outcast

Trama demoníaca do criador de The Walking Dead encerra sua primeira temporada não tão demoníaca assim. Baseado na HQ homônima – já pensada para virar série – de Robert Kirkman – autor de The Walking Dead – Outcast aposta num terror “demoníaco” e acerta a mão, não no universo diabólico em si, mas sim no drama e tensão – onde Constantine falhou – mas ao mesmo tempo lhe falta um pouco de tempero.

A história conta a sina de Kyle Barnes, que tem sua vida afetada por possessões demoníacas, mas com um porém: as possessões sempre ocorrem com pessoas próximas à ele e nunca com o próprio. Isolado e marginalizado pela sociedade, Kyle vive afastado e repleto de traumas, quando descobre que tem o “poder” de banir os demônios desse mundo.

No processo de maturação da série, as coisas vão mudando e é importante deixar claro: Não se trata de uma série sobre exorcismos!!! Isso mesmo, não espere rituais sofisticados, blasfêmia e o mal cristão ancestral estampado na tela, apesar de se tratarem de demônios, as possessões são abordadas como comportamentos bestiais e os “rituais” em si não tem encenação nenhuma. Os demônios existem mas a trama caminha para um drama social e de sobrevivência, com demônios que coexistem com o hospedeiro e procuram se estabelecer no mundo.

O grande ponto alto da série é a tensão que se mantém elevada em cada episódio: o personagem de Kylle (Patrick Fugit) se recupera rápido e logo após o primeiro episódio retoma as rédeas da vida, rédeas essas que vão desandando em alto ou menor grau para vários personagens – destaque para o reverendo Anderson (Philip Glenister). Num clima típico de cidade suburbana, essa sina de “vida danada” vai sendo compartilhada entre os cidadãos, e aos poucos a história vai se desenvolvendo procurando um rumo.

Tecnicamente Outcast acerta a mão, a boa atuação do elenco como um todo mantem o foco do espectador – embora a maioria das cenas ainda sejam relacionadas ao cotidiano, um ou outro foco de tensão surge e é bem administrado. Além disso sua simplicidade não exige efeitos especiais ou cenários diferentes, e dessa forma Outcast mantém um alto nível de qualidade técnica.

O único ponto fraco seja justamente essa falta de identidade com o tema: Outcast não é sobre exorcismos, à loucura que toma os possuídos é causada pelo conflito entre o parasita/hospedeiro, e os dramas sociais ganham mais destaque do que o horror sobrenatural em si, o comportamento da sociedade perante a ameaça começa a mostrar características de outra obra de Kirkman deixando a dúvida: será que teremos um novo The Walking Dead?

A série é boa tecnicamente, o elenco atua bem, mas falta algo a mais, falta um diferencial. A grande pergunta é: porque assistir Outcast? Tudo o que a série propõe já foi utilizado inúmeras vezes e de maneiras genais, o que deixa Outcast com um sabor de mais do mesmo. De qualquer forma a primeira temporada termina de forma coesa, dando algumas respostas, abrindo diversos ganchos e já foi confirmada para a segunda temporada. Agora é esperar que o tempo trabalhe bem em cima da obra e Outcast encante como o fez nos primeiros episódios!

 

Título Original: OutcastFlecha-3_5

Criador: Robert Kirkman

Canal: Cinemax

Ano: 2016

Episódios: 10

Tempo: 44-54min

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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