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Poderíamos estar vivendo numa Matrix?

E se tudo o que vemos e sentimos não for real, você escolheria a pílula vermelha ou a azul?

A ideia original para esse texto se encontra no livro A Realidade Oculta, de Brian Greene e se trata de um dos modelos de universo paralelo discutidos no livro. O texto a seguir se trata exatamente da mesma ideia, mas feito com minhas palavras.

O QUE É A REALIDADE?

 

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A realidade como um termo amplo engloba tudo aquilo que “existe”, mas aqui vamos tratar de algo mais específico, vamos tratar como sendo real tudo aquilo que podemos interagir, o real seria tudo aquilo que pode ser percebido de alguma forma. Nesses termos, o aspecto da realidade varia de espécie para espécie, nós humanos interagimos com o mundo a nossa volta através dos nossos sentidos – apesar de aprendermos na escola que são apenas 5 (visão, audição, olfato, paladar e tato) existem muitos mais (propriocepção, nocicepção, sentido de equilíbrio, etc…) e esse método didático de “5 sentidos” deveria ser abolido – e tudo que podemos ver, tocar, ouvir ou sentir compõe nosso aspecto de realidade. Essa noção de realidade deve ser completamente diferente, por exemplo, para animais que também se utilizam da visão, mas que enxergam além do limite do espectro visível ( qualquer radiação capaz de estimular a retina e causar sensação visual, em outras palavras, todas as cores que enxergamos) alguns insetos podem enxergar a luz UV, invisível para nós, inclusive algumas flores criam trilhas de UV indicando a localização do pólen para os insetos – o mesmo vale para os outros sentidos: cães com um olfato mais apurado, morcegos e baleias com seu sonar. Animais que se utilizam exclusivamente de feromônios, substâncias químicas secretadas para comunicação, devem ter um aspecto de realidade completamente maluco e inimaginável para nós.

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Como TODOS os nossos sentidos ocorrem graças a processos cerebrais, qualquer “mal funcionamento” no nosso cérebro poderia alterar a realidade como nós a vemos: uma febre muito forte pode causar alucinações, mesmo efeito que pode ser obtido com o uso de drogas; a esquizofrenia é uma doença sem cura (mas controlável) que pode causar alucinações permanentes. Para quem não tem esses problemas, imaginar como seria uma alucinação forte a ponto de parecer real pode ser difícil, mas basta saber que tudo o que a gente enxerga são na verdade fótons detectados pela nossa retina, que por sua vez manda sinais elétricos para o cérebro, que processa aquilo como uma imagem real. Qualquer mau funcionamento dos neurônios responsáveis por essa função, poderia gerar uma imagem nítida, que não estava sendo captada pela retina. “A EXPERIÊNCIA É DITADA PELOS PROCESSOS CEREBRAIS E NÃO POR AQUILO QUE ATIVA ESSES PROCESSOS – A Realidade Oculta, Brian Greene

Uma ideia muito boa de como a realidade depende do cérebro, se tem quando sonhamos: quando dormimos o corpo diminui praticamente todas as funções e taxas metabólicas, deixando principalmente o cérebro funcionando e todos sabemos o quão amplo e real é o mundo dos sonhos, a ponto de acordarmos assustados ou ansiosos graças a algo que não aconteceu de fato.

 

QUAL A RELAÇÃO DA REALIDADE COM A TECNOLOGIA?

 

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Você já deve ter ouvido falar que o cérebro é um computador biológico, ou que os processadores são os cérebros do computador. Apesar de ainda compreendermos bem pouco o cérebro, o fato é que seu funcionamento é similar ao de um computador. Ambos recebem sinais de entrada, realizam operações e emitem sinais de saída. Para entender melhor vamos comparar as unidades básicas dessas estruturas: o neurônio e o circuito.

O circuito é uma estrutura capaz de receber impulsos elétricos de entrada, e devolver um impulso elétrico na saída. Esses impulsos mínimos, chamados BIT’s, se dividem em 0’s e 1’s, onde 0 é a ausência de sinal e 1 é o impulso elétrico sendo emitido. Através desse sistema simples, a CPU (unidade central de processamento) consegue fazer cálculos complexos, emitindo e desativando BIT’s, acionando os diversos periféricos da máquina. Através dessa simples aritmética entre 0’s e 1’s, você pode usufruir de um belo The Witcher 3 sem se preocupar com o que está acontecendo dentro da CPU.

O neurônio tem um funcionamento similar. O neurônio é uma célula repleta de ramificações: os dendritos, que recebem o sinal e o axônio que transmite o sinal. Assim como no computador, esses sinais são elétricos: um sinal recebido num dendrito, cria uma cadeia de reação química de despolarização da membrana, baseada na concentração de íons K+ e Na+ , dentro e fora da célula. Esses sinais, são os 0’s e 1’s do sistema biológico, e assim como no computador, os neurônios são arranjados de tal forma a poderem executar cálculos complexos e definir toda a realidade que percebemos.

Obviamente que tanto o computador como o cérebro se diferenciam em várias coisas, mas o funcionamento básico dessas duas interfaces se baseia em pequenas estruturas que tem capacidade de pegar sinais de entrada, converterem em sinais de saída e fazer toda a mágica acontecer. Dessa forma, já podemos contabilizar os processos.

Levando em conta que a experiência é ditada pelos processos cerebrais, um sistema artificial que estimule seus sentidos, poderia ativar esses processos e ditar uma experiência que não é real.

 

VAMOS FAZER AS CONTAS

 

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Um sistema artificial que simule a retina humana (comporta por 100 milhões de neurônios), precisaria de uma taxa de 1 bilhão de cálculos por segundo. Se analisarmos o número de sinapses (conexões entre dois ou mais neurônios) no cérebro e quantas vezes elas se ativam, é possível se estimar a capacidade do cérebro com média de 1017 de cálculos por segundo. O computador mais rápido do mundo tem uma capacidade de cálculos de 1015. Seriam necessários 100 supercomputadores para uma capacidade igual a cerebral.

Tudo bem que estipular a velocidade e capacidade de fazer cálculos, é apenas uma parte do processo, o fato é que o cérebro é muito mais complexo e pouco estudado, nem é possível afirmar que os cálculos seriam feitos da mesma forma que em um computador. Mas analisando tudo isso que sabemos, é fato que os computadores estão ficando cada vez mais potentes e é uma questão de tempo até que seja criada uma máquina com uma capacidade de operação maior que a do cérebro, mas e aí?

 

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

 

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O surgimento da “mente” é um assunto nebuloso, que permeia esferas científicas, filosóficas e religiosas, e basicamente se divide em duas linhas de pensamento: uma acredita que a “mente” contém um componente não natural necessário (alma?) e que sem ele é impossível existir. Outra linha acredita que a nossa “mente” (Inteligência, capacidade de raciocínio e de criação) é resultado apenas de um cérebro bem desenvolvido (uma vez que a inteligência dos animais pode ser “medida” através de uma relação entre tamanho do cérebro e volume do corpo, e nós Homo sapiens somos os portadores do maior cérebro dentro da árvore da vida).

Descartando a primeira linha de raciocínio, e levando em conta apenas a segunda, a partir do momento que surgir um cérebro tão competente quanto nós, teríamos um ser tão inteligente quanto a gente, a partir do momento que criarmos um computador com nossa capacidade de fazer cálculos (1017) teríamos criado a Inteligência Artificial. E isso está cada vez mais perto da realidade do que parece, até poucas décadas atrás nossos computadores eram máquinas gigantescas com uma capacidade ínfima de calcular, mas em pouquíssimo tempo tivemos a capacidade de diminuir ainda mais os periféricos e criar máquinas mais potentes. Atualmente o projeto Blue Brain Project, liderado pelo neurocientista Henry Markram, promete criar um computador com a mesma capacidade e velocidade de processamento do cérebro, até 2020; o Google recentemente anunciou que entrou para valer na área de pesquisas em relação a inteligências artificiais, na qual está investindo pesado; isso sem falar nos inúmeros avanços que são feitos quase diariamente por empresas de computação e robótica.

Enfim, a criação de uma Inteligência Artificial é uma questão de tempo, e hoje em dia os embates não são mais entre ser ou não possível, mas sim entre ser ou não sensato!!!

 

UNIVERSO SIMULADO

 

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Agora que já temos nossa Inteligência Artificial damos continuidade a possibilidade da existência de uma Matrix: o universo simulado! Antes de mais nada onde uma IA viveria? Ela poderia viver no nosso próprio mundo (partindo do princípio que ele seja real) como um robô, ou poderia ser mantida como impulsos elétricos, confinada a um universo criado para ela!!!

Uma vez que tivéssemos criado uma inteligência capaz de pensar por si própria, criar um universo simulado seria tarefa mais fácil, que exige uma capacidade de processamento melhor claro, mas ainda sim mais prática – jogos eletrônicos fazem isso a todo momento, procurando sempre a cada geração optimizar ao máximo a física utilizada.

Acredita-se que um humano (1017) ao longo da vida terá feito 1024 cálculos. A humanidade (todas as pessoas que já existiram giram em torno de 100 bilhões) teria feito 1035 cálculos somados. Um computador do tamanho do planeta Terra poderia simular a humanidade em 2 minutos. Para simular toda a física, leis da natureza enfim os conjuntos de regras que regem o universo (que seriam como funções pré-definidas para cada universo) exigiria um computador um pouco maior. Isso parece complicado em termos de processadores com funcionamento binário, mas estamos cada vez mais próximos do surgimento de computadores quânticos (a alguns anos atrás os primeiros computadores quânticos funcionavam poucos minutos, e de lá para cá foram sendo aprimorados.  A Google investe pesado nessa tecnologia e é só uma questão de tempo até um modelo definitivo e estável ser construído) que igualariam um computador do tamanho da Terra com uma máquina do tamanho de um laptop.

Hoje existem vários modelos de como deve ser um universo simulado, baseados em modelos matemáticos e de programação, uns propõe a simulação de universos completos com todas as suas leis, outras de regiões específicas do universo as quais as IA interagiriam ( sem gastar cálculos emulando coisas que as IA nunca descobririam). Enfim, as alternativas são muitas e são foco de muita especulação dentro da ciência, mas que já são bem prováveis!

 

PORQUE SIMULAR UM UNIVERSO

 

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Agora já sabemos que a realidade é um conceito relativo ( que pode ser alterada até por problemas fisiológicos), que a criação de uma Inteligência Artificial está cada vez mais próxima e que um universo simulado é apenas uma extensão dessa ideia e que a tecnologia avança tanto que quando você menos esperar você terá um supercomputador desses em seu bolso, uma incrível máquina de enviar nudez e com inúmeras funções ( menos realizar chamadas!). As máquinas em Matrix criaram um universo simulado para manter a humanidade passiva como um verdadeiro rebanho, mas porque alguém teria todo trabalho de criar um universo inteiramente artificial?  A questão definitivamente não é o PORQUE, e sim o COMO. A partir do momento que alguém tiver condições de criar um universo artificial ele o fará!!!

Fazemos isso o tempo todo para simples entretenimento. Jogos eletrônicos inovam sua inteligência artificial a cada nova geração; os chamados jogos de sandbox propõe um mundo aberto para o jogador explorar livremente e a cada novo lançamento tentam melhorar ao máximo as regras desse universo: a IA das pessoas que “vivem” nele – o jogo Skyrim precisou ser melhorado porque os NPC’s estavam matando personagens essenciais para trama – as condições climáticas, a física. Jogos como GTA, The Sims, The Second Life são sucesso de venda desde sua origem e a cada novo lançamento tentam expandir seu universo tanto em tamanho quanto em matéria de realidade. Somos fissurados por Reality Shows, criamos nossos miniecossistemas em aquários. Enfim, a nossa espécie é fascinada com esse tipo de controle e já criamos universos simulados a muito tempo, é só uma questão de tempo até eles se tornaram tão avançados a ponto de abrigar vida consciente.

 

ESTAMOS VIVENDO NUMA MATRIX???

 

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Não sei, mas as pessoas que se jogaram de um prédio até hoje normalmente morreram. O fato é que por mais absurdo que possa parecer, cientistas sérios já apresentaram essa dúvida e fizeram testes para averiguar essa possibilidade; muitos religiosos acreditam que esse mundo em que vivemos é apenas um teste para o mundo verdadeiro; a possibilidade de nós mesmos criar um universo complexo simulado é cada vez mais próxima, e quem garante que já não fizeram isso com a gente antes? Essa ideia nem é original ou atual, Platão lá no passado já tinha proposto que nós vivemos num mundo “falso” que seria a sombra de um mundo ideal, em seu famoso Mito da Caverna. Bom, independente de qualquer coisa o fato é que a teoria é intrigante não para pensarmos que nosso mundo não é real, mas mais para pensar em como a realidade pode ser tênue, o fato é que nessa vida nós jogamos no hard e algumas pessoas claramente usam cheats, mas é como diria um grande amigo meu: “vamos ver no que vai dar né?”

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.
  • Marco Luís Silva Ferreira

    Muito bom o texto Ítalo. E sobre o filme Matrix, o que vc achou do final??? Eu interpretei que as máquinas criaram uma nova Matrix abrangendo a Matrix inicial e assim controlaram todos os humanos – os que sabiam e os que não sabiam da existência da Matrix.

    • Italo Aleixo de Faria

      Valeu man, muito obrigado! Então, eu vi o último filme uma vez só, mas nunca gostei dele. Mas essa coisa da nova Matrix para mim já aparece no segundo, quando o Neo para as sentinelas “fora” da Matrix!

      • Marco Luís Silva Ferreira

        Interessante a tua observação porém esta teoria deixa alguns “furos” na história. Se realmente o mundo dos rebeldes fosse uma outra Matrix, não faria sentido as máquinas colocarem os Agentes e os sentinelas atrás dos rebeldes. Além disso todo o esforço do Arquiteto em “manipular” o Neo teria sido em vão e desnecessário. Daí você pode argumentar: mas tudo isso fazia parte dos planos das máquinas em tornar o mundo dos rebeldes o mais real possível para os humanos. Entretanto o risco não valeria a pena, pois o Agente Smith virou um vírus poderoso que quase destruiu todo o sistema criado pelas máquinas. Foi por isso que concluí que a Matrix englobando todos os seres humanos só acontece no final do terceiro filme, após o “cérebro” das máquinas negociar com o Neo: o fim do vírus Smith em troca de um mundo novo para os rebeldes em que eles teriam a certeza de terem derrotados as máquinas. E assim todos, homens e máquinas, viveriam felizes para sempre… rsrsrsrs… Desculpe a ironia desta parte, mas o que vc acha??? Obrigado pelo teu tempo e por teu ponto de vista. Grande abraço.

        • Italo Aleixo de Faria

          Sim sim, existem vários furos, mas na minha opinião é mais por falhas no roteiro mesmo do que propriamente dito por genialidade do filme. Para mim o primeiro é uma obra de arte ( que praticamente pegou um roteiro pronto de Os Invisíveis) já o segundo e o terceiro foram mais para vender, os Wachowski não souberam continuar e muito menos terminar a história (justiça seja feita, eu ainda acho o Reload um filmaço). Acho que eles esgotaram a criatividade e forçaram um final bem meia boca, sem explicação nenhuma. Para mim ao final do Reload, com o lance dos Sentinelas, tinha ficado explícito que existia uma Matrix dentro da Matrix, mas eles não explicam porque aquilo ocorreu hora nenhuma (eu só vi o Revolutions uma vez e a muito tempo, nunca gostei dele). Para mim eles não souberam continuar, deram muita sorte com Matrix, mas no geral acho eles péssimos diretores, não curto os outros trabalhos deles fora de Matrix!

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