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Preacher – Primeira Temporada

O que esperar da adaptação de uma das HQ’s mais pesadas da história dos quadrinhos? Chega ao fim a primeira temporada da adaptação de uma das hq’s mais polêmicas de todos os tempos: Preacher. A obra blasfema de Garth Ennis, considerada por muitos inadaptável, chega com identidade própria, muita coragem, mas também muitas mudanças na televisão.

O enredo da HQ conta a história do pastor Jesse Custer, portador da entidade Gênesis, a qual lhe concede o poder de poder ordenar qualquer coisa a qualquer pessoa e ser atendido. Jesse, sua parceira Tulipa e seu melhor amigo Cassidy, partem juntos em uma jornada pelos EUA com um único objetivo: encontrar e tirar satisfações com Deus, que há muito abandou a humanidade! A trama da série é um pouco diferente e optou por mostrar os acontecimentos anteriores à jornada dos personagens, abordando o tempo em que Jesse ainda era pastor – e acreditava em algo – na cidadezinha de Annville.

Dominic Cooper as Jesse Custer - Preacher _ Season 1, Episode 1 - Photo Credit: Lewis Jacobs/AMC

 

Se você estava esperando um material 100% fiel a HQ, pode esperar sentado. A série da AMC é diferente por alguns motivos: primeiro porque quis abordar uma parte diferente da história (que não existe na HQ) justamente como um teste para saber se Preacher e seu conteúdo é aceito pelo público; e também pretende fazer de Preacher algo original, um material próprio que caminhe com as próprias pernas – o mesmo que foi feito com The Walking Dead, outra série derivada de uma HQ, que tem sua própria linha temporal e personagens. Por outro lado, mesmo sendo tão diferente a série carrega consigo a alma do quadrinho: muita ação, sangue, humor negro, blasfêmia e personagens fiéis as origens.

Nessa busca por uma identidade própria a série apresenta muitos altos e baixos: ter que acompanhar o passado de Jesse como pastor ( um passado que pouco importa para a narrativa original) é maçante, cada círculo social da cidade de Annville, que não tem ligação com nenhum personagem interessante é chato e descartável. Para valorizar esses “círculos sociais” personagens que só apareceriam na trama futuramente, foram inseridos como fazendo parte da vida de Jesse. Essa mudança na timeline não estraga a história: o psicótico Odin Quinncannon (Jackie Earle Haley) e o escrachado vampiro Cassidy (Joe Gilgun) roubam a cena com as melhores atuações e momentos; já Jesse (Dominic Cooper) e Tulipa (Ruth Negga) cambaleiam, Jesse, mesmo fiel ao personagem da HQ, irrita com sua dualidade entre ser o mocinho ou o bandido e intercala em cenas de puro tédio à momentos de muita inspiração, enquanto Tulipa ainda não encontrou seu lugar na série, o convívio social não combina com ela, que se mostra perdida por toda temporada. Outros personagens “principais” como a bonitinha Emily (Lucy Griffiths) personagem original da série, não tem função nenhuma na história, mesmo tendo muito tempo de filmagem.

Joseph Gilgun as Cassidy; single - Preacher _ Season 1, Gallery - Photo Credit: Matthias Clamer/AMC

Como já disse, essas liberdades editoriais não estragam a obra como todo, pelo contrário, elas preparam Preacher para se tornar na TV um material original, sem profanar a obra de Garth Ennis. Enquanto alguns personagens ainda precisam se encontrar, Odin deixa de ser um vilão relegado à um pequeno arco, para se tornar possivelmente um dos vilões principais, o Cara de Cu (Ian Colletti) também tem sua história “alterada” para servir de gancho para as próximas temporadas, e intensificar sua relação com Jesse.

 

Preacher é um roadie thriller, um western blasfemo, e gastar toda a temporada na cidadezinha de Annville, criando vínculos com os moradores locais quebra o ritmo da obra, mas enquanto alguns episódios capengam, outros são de tirar o fôlego, com muita pancadaria correndo solta – destaque para a briga com os anjos no quarto do motel.

ruth-negga-tulip-preacher

O assunto mais polêmico de Preacher: a blasfêmia! A HQ é uma das obras mais blasfemas da história dos quadrinhos, e muitos momentos extremamente pesados são considerados inadaptáveis para a televisão, mas Preacher sem esses momentos não tem graça, como a série se saiu até agora? Realmente o Preacher da TV não leva nenhum momento extremamente pesado para as telas – afinal tais eventos ainda hão de acontecer – mas o pouco que faz dá um gostinho do que pode vir: piadinhas aqui e ali com religião são constantes, e a season finale mostra que os produtores não vão tirar a mão do vespeiro – o episódio ainda conta com uma cena, onde uma onda de desesperança e caos toma os moradores de Annville, que é tão pesada quanto a HQ. Além disso temos a presença do icônico Santos do Assassinos, e quem leu sabe onde isso vai dar…

Agora com o cenário preparado – a série termina onde os produtores prometeram: no início dos quadrinhos, a ultima cena é exatamente a cena inicial da HQ – e com o alto padrão AMC (fotografia, figurinos, efeitos especiais intocáveis e pouca censura), esperamos que Preacher se estabeleça de vez e nos entregue o roadie thriller caótico que todos querem ver, porque as primeiras impressões foram boas!

 

Título Original: Preacher

Criador: Seth Rogen, Evan Goldberg, Sam Catlin, baseada na HQ de Garth Ennis e Steve DillonFlecha-4_5

Canal: AMC

Ano: 2016

Episódios: 10

Tempo: 42 – 65 min

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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