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Revival

O livro mais assustador que Stephen King já escreveu? O é, de acordo com a própria opinião do autor, Revival remete a histórias de horror clássico e faz referência diretas à grandes escritores do gênero. Sem sombra de dúvidas o livro tem um dos finais mais pesados de King, mas navega tempo demais na monotonia do dia a dia do personagem narrador. Apesar de que poderia ter sido muito mais assustador, e ter entrado de cabeça no terror, a narrativa de King encanta, e até o cotidiano se torna interessante nas mãos de um grande escritor.

O livro é narrado por Jamie Morton, um guitarrista aposentado que conta a história de sua vida e como ela foi transformada pela principal força motriz da trama: o personagem Charles Jacobs. De pastor à cientista louco, Charles um compulsivo por eletricidade, utiliza-se de certos experimentos para curar, dom que requer sacríficos e traz efeitos colaterais irreversíveis…

Um detalhe importante e que me afastou de ler o livro por algum tempo foi a sinopse que é veiculada ao livro, que na ânsia de criar o mistério e não revelar nada, acaba criando uma impressão diferente do que esperar: “Um menino e o Reverendo…” , “… sermões contagiantes…” , “… reencontra o antigo pastor…” , “… elo que os unia…”. Enfim, todas as sinopses me fizeram esperar uma história diferente (e não, não estou falando de pedofilia), uma relação entre uma pessoa comum e um fanático religioso que perduraria por toda a vida (um assunto bem recorrente nas obras de King). Mas Revival é um assunto completamente diferente: apesar de a religião ter grande impacto na obra, não temos nenhum fanático religioso, ambos os personagens são criaturas que inclusive perderam a fé; não existe um vilão propriamente dito, a relação de Jamie é com um cientista maluco e inescrupuloso, e o grande perigo vem do conhecimento irrefreado; e pra finalizar, o cerne da história é um conto de horror que remete diretamente a Lovecraft e seu horror cósmico.

As dedicatórias no início do livro, que citam – entre vários nomes – Mary Shelley (Frankenstein), Lovecraft e Arthur Machen (O Grande Deus Pã), ditam bem o rumo da obra. Revival é um encontro entre a principal obra de Shelley com a de Machen, Charles Jacobs é claramente baseado em Vitor Frankenstein o criador do prometeu, os efeitos colaterais dos “milagres” de Jacobs, são claramente baseados nos eventos da obra de Machen, enquanto o clímax é o que se esperaria de qualquer conto lovecraftiniano.

Como todo e qualquer livro de King – e vocês já estão acostumados – vemos o desenrolar da vida de seus personagens, sejam através de eventos redundantes ou não. Acompanharemos James Morton (principalmente) nos acontecimentos importantes para história, e nos monólogos sobre a existência, velhice e momentos que passam e não voltam mais – assuntos que King aborda mais, a cada ano que passa. Em outras palavras, apesar de ser um livro relativamente curto e muito empolgante, espere por enrolação. Revival só se desenvolve quando o “Reverendo” entra em cena, e atinge o clímax só nas últimas páginas. Teria sido interessante dar mais páginas a Charles Jacobs, a grande estrela do romance, aos seus pacientes, e menos às divagações de Morton – e todas as suas referências musicais, que cansam!!!

Revival faz jus à obra do autor que tem a capacidade de se reinventar a cada livro, e escrever histórias completamente diferentes umas das outras. Enrolações a parte, o livro foi aclamado pela crítica, e é um prato cheio para os fãs de horror cósmico e por aqueles que anseiam os segredos que se escondem por trás do véu da morte!!!

 

 

Título Original: Revival

Autor: Stephen King

Ano: 2014

Páginas: 371

 

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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