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Superman – Entre a Foice e o Martelo

E se um dos principais símbolos do patriotismo americano fosse russo? Como teria sido o universo DC se a nave do Kryptoniano tivesse se atrasado 12 horas e caído na URSS em plena Guerra Fria? É exatamente essa a proposta de Mark Millar com Superman Entre a Foice e o Martelo. HQ da Elsewords, selo da DC que mostra seus personagens vivendo aventuras alternativas, em universos únicos.

Superman Entre a Foice e o Martelo mostra um Homem de Aço criado na Rússia em pleno regime Stalinista, utilizado como arma pelo regime Comunista e liderando a guerra contra os EUA. Do lado Capitalista, um Lex Luthor extremamente inteligente – a ponto de ser quase uma divindade – é a outra face da moeda, e uma esperança na oposição ao Superman.

A Guerra Fria foi um período tenso da história, a queda de braço entre Comunismo e Capitalismo e isso refletiu e muito na cultura pop. Muitos dos heróis das HQ’s (mercado dominado pelos EUA) serviam como símbolo do poderio americano e da propaganda capitalista através do “american dream”. Entre a Foice e o Martelo é justamente uma sátira à esse período, um universo alternativo onde a arma definitiva – nesse caso o Superman, em uma de suas versões mais poderosas – foi controlada pela URSS e teve papel decisivo na história.

Com nuances de ficção científica – repleta de inventos e abrangendo conteúdo distópico – brincando com universos paralelos e com “efeitos borboleta”, essa troca de nacionalidade traz impactos significativos para o universo DC: aqui a Liga da Justiça nunca se reuniu; o Batman não nasceu em Gotham City, mas em algum lugar de Moscou, e é agora um anarquista revolucionário, nos moldes de “V”; Lex Luthor é a pessoa mais inteligente do mundo e principal arma contra Superman a ah… é casado com uma certa jornalista do Planeta Diário!

A URSS com um deus no comando – afinal os poderes do Homem de Aço são tão poderosos, que ele é praticamente uma entidade, onisciente, onipresente e onipotente no planeta – prospera e engloba territórios, enquanto aqui é o Capitalismo que fali e fica isolado. O tema não se resume a Guerra Fria, mas também à aspectos teológicos como a presença de um deus na Terra, e a própria referência ao anticristo ou líderes globais, uma vez que o Superman consegue estabelecer uma existência utópica na Terra, onde os únicos males são os causados pelo Capitalismo e por Lex Luthor. A trama vai muito além e extrapola para futuros distantes, com alusão a própria evolução da raça humana e ao futuro do Sistema Solar, sem deixar de lado os primórdios do super herói.

Mesmo com participações especiais de outros heróis da DC, a HQ não conta com grandes batalhas, e o foco é mesmo as tramas políticas dos impérios de Superman e de Lex Luthor. A caracterização dos personagens (mesmo em seus universos paralelos) está excelente, o Superman em momento algum deixa de ser um defensor da justiça e do Planeta, enquanto Lex usa e abusa de todo e qualquer meio para derrota-lo.

Sucesso de críticas, a HQ foi traduzida para o russo pela primeira vez apenas em 2015, e foi um sucesso de vendas com as todas tiragens esgotadas em pouco tempo. Nunca achei o personagem interessante, mas a tal forma que foi abordada seu poder e influência, faz dessa dúvidas uma de suas melhores histórias, indicada para quem é ou não fã do super-herói!
Nome Original: Superman Red Son

Ano: 2003Flecha-4_5

Roteirista: Mark Millar

Arte: Dave Johnson, Andrew Robinson, Kilian Plunkett, Walden Wong

Selo: DC

Arco: 3 Edições

 

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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