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Um Cântico para Leibowitz

Quais seriam os passos tomados pela humanidade se ela precisasse recomeçar do zero? Normalmente obras pós-apocalípticas tendem a focar na sobrevivência de personagens tentando se adaptar à um mundo destruído, uma sociedade no fim da sua existência. Um Cântico para Leibowitz aposta numa abordagem diferente, focando na continuação da sociedade depois da destruição. Mesclando elementos de literatura distópica e pós-apocalíptica, Um Cântico para Leibowitz é um clássico do gênero, vencedor do prêmio Hugo de 1961 (um dos principais prêmios para ficção científica).

Na trama a sociedade foi destruída por um holocausto nuclear e os sobreviventes passam à ter uma aversão pela ciência e tecnologia, destruindo tudo que seja remanescente científico e caçando os cientistas, num movimento que ficou conhecido como Simplificação. Passados alguns séculos a sociedade vive um ambiente medieval, onde todo conhecimento e avanço tecnológico foi praticamente perdido e o pouco que restou – a Memorabilia – é protegido pelos monges da Ordem Albertina de Leibowitz.

O livro é dividido em 3 partes:

FIAT HOMO (“Faça-se o homem”) se passa no século XXVI, um cenário medieval onde tribos selvagens povoam a região e a Igreja é a instituição mais forte (a única instituição que permaneceu), e mostra a jornada do irmão Francis Gerard, noviço que acaba se deparando com relíquias de um passado esquecido…

Avançados mais 600 anos, FIAT LUX (“Faça-se a luz”) é uma espécie de Renascimento, onde as tecnologias do passado passam a ser redescobertas, graças a anos de estudo em cima da Memorabilia. Nessa mesma época as “tribos” humanas já estão mais organizadas e grandes líderes começam a despontar, trazendo de volta as iminentes guerras.

E novamente avançados 600 anos a terceira e derradeira parte, FIAT VOLUNTAS TUA (“Seja Feita a Vossa Vontade”) narra os eventos numa civilização que conseguiu reatingir seu auge, e novamente se encontra a beira de um holocausto nuclear…

Ao invés de optar por contar uma história de sobrevivência ou fantasia, Um Cântico para Leibowitz faz uma abordagem mais histórica de um mundo pós-apocalíptico, abordando como sobreviveriam as instituições, como a sociedade se organizaria e lhe daria com a situação. Walter Miller Jr. faz uma crítica da condição humana e do caráter cíclico da história, de como nós tendemos a sempre repetir os erros do passado, nunca evoluindo como espécie.

O livro abre mão da ação e da sobrevivência para apostar nos detalhes e na reconstrução da história, são esses detalhes que fazem o livro tão bom e tão profundo. A Memorabilia tratada como relíquia – em sua maior parte documentos banais de hoje em dia – fazendo as vezes das relíquias sagradas de nosso passado; a redescoberta de tecnologias hoje obsoletas como marcos da nova sociedade; a estranha figura do peregrino que parece perdurar por toda a obra, que dá um tom místico a obra.

Um Cântico para Leibowitz foi um marco da literatura distópica a mais de 50 anos e mesmo hoje se mantém extremamente atual – cada vez mais – e é uma excelente obra para quem curte cenários pós-apocalípticos mas espera uma abordagem alternativa.

 

Título Original: A Canticle for Leibowitz

Autor: Walter M. Miller Jr.Flecha-4_5

Ano: 1959

Páginas: 383

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.

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