Menu

Uma noite e uma dose de sangue!

Contan estava observando o estranho: sentado sozinho desde que chegou, pálido como leite, todo de preto numa vestimenta estranha e brilhante.

– EEI RAFDICK, RAFDICK – berrou Contan como o de costume chamando seu ajudante.

-ESTOU AQUI SENHOR, NÃO PRECISA BERRAR…

A frase foi cortada com uma pancada que Contan desferira na cabeça do ajudante.

-NÃO OUSE LEVANTAR A VOZ PARA MIM, APENAS EU TENHO ESSE DIREITO, EU SOU… COFF COFF – um acesso de tosse interrompeu Contan – Cansei. Rafdick, quem é o estranho sentado sozinho?

– Eu não sei senhor, ele não disse seu nome e nem mesmo falou nada, apenas se sentou e está ali parado a horas.

– Humm. EI VOCÊ, É VOCÊ AÍ MESMO SOZINHO, Não você não Blagdast, o outro, NÃO VOCÊ TAMBÉM NÃO MEPHISTOPHELES, É O OUTR… , AHHHHHH – Contan sai de trás do balcão e foi até o estranho sentado sozinho – Você não vai consumir nada cidadão?

O estranho apenas para e fica olhando para Contan, sem expressar nada no olhar.

-Eu não sei de onde você vem e aqui isso não nos importa pois todos viemos de lugares diferentes, mas para permanecer na taverna é preciso pagar, se você você não vai consumir nada, deve nos pagar com uma história.

O estranho continuou fitando Contan por horas a fio, e todos na taverna pararam para olhar, e antes que alguém pensasse em resetar a Matrix, o estranho começou a sua história.

 

 

 

A chuva acabava de castigar o leste da cidade e agora se encaminhava para o norte, deixando para trás um ar de destruição e abandono, em meio a esta paisagem pseudo-apocalíptica uma moto se deslocava a toda velocidade. A avenida era larga e permitia que o solitário motoqueiro sem capacete costurasse os carros sem nenhuma dificuldade.

O subúrbio, um local evitado pela grande maioria dos cidadãos – pelo menos os considerados normais – um grande conglomerado de becos e vielas onde todo tipo de atividade ilegal era praticada: assaltos, roubos, estupros, assassinatos, seqüestros, e todo e qualquer tipo de tráfico. É para lá que o solitário motoqueiro se direciona.

O motoqueiro sai da avenida principal sem qualquer precaução, arrancando palavrões e buzinadas dos demais motoristas, e por meio de um desvio logo chega na fronteira do subúrbio. Como bom conhecedor do local, ele se desloca entre os becos quase sem diminuir a velocidade. Em seu trajeto ele passa por várias vielas alagadas e enxurradas, sinais que a tempestade ali fora violenta. Concentrado ele nem ouve um casal de punk’s xingar, encharcados em plena cópula ao ar livre, pelo motoqueiro que passara a toda numa poça d’água. Dois quarteirões a frente, ele para e desce da moto, estacionando-a na frente de um prédio.

Ele da à volta pelos fundos – se bem que no subúrbio todo lado pode ser considerado o fundo – e para na lateral do prédio olhando para as janelas. Uma olhada mais objetiva revela a janela que realmente importa, a luz acesa faz com que um leve sorriso apareça sorrateiramente em sua face. Olhando atentamente uma poça d’água ele vê refletido nela seu reflexo: os cabelos longos caem desembrenhados pelos ombros, escondendo a gola da camiseta e do sobretudo ambos pretos, em seu rosto uma palidez sobrenatural é contrastada pelas marcas escuras em volta dos olhos. Ele fita seus olhos inexpressíveis atentamente, mas estes refletidos na lâmina da faca que ele segura em mãos.

Carl Jhonson xinga após se cortar com o barbeador. Com o auxílio do espelho ele limpa o sangue e se afasta para dar uma olhada melhor no corpo nu: o peito largo e peludo não é nada se comparado a imensa barriga cheia de banha, o cabelo cortado rente dá maior ênfase ao início de calvície nas têmporas, deixando a mostra um rosto grande típico de um canastrão sádico. Uma apalpada na genitália precede uma gargalhada típica de um chefão da máfia com um ego maior do que sua pança obesa – o simulacro caricato de uma lua doente.

– Emily, ô Emily? Cadê você piranha? – Carl grita chamando a prostituta contratada.

Sem resposta.

– Cadê você piranha dos infern… – ele para subitamente na porta da sala com um olhar de espanto, e o coração lhe saltando a boca.

Na sala em frente à janela entreaberta, está parada uma figura nada amistosa, vestida de um sobretudo negro, coturnos e cabelos longos remexidos pelo vento.

– Nnnaaão vovovocê não! – Carl gagueja e cai no chão largando a toalha e correndo pelado em direção ao quarto.

Ele entra desesperado no quarto à procura de sua pistola nas gavetas.

– Procure na gaveta de baixo – diz o estranho que já esta dentro do quarto, do outro lado da cama.

– Como chegou aqui? Você estava na sala! – Carl cai mais uma vez sentado, mas desta vez empunhando sua pistola – Toma isso seu merdinha.

Carl dispara, o silenciador da arma impede que alguém ouça, mas antes que o projétil atinja o alvo, o estranho dá um salto se desviando da bala e parte em direção a Carl, que rastejando para trás faz mais três disparos. O estranho numa mistura de saltos, e manobras se desvia de todos os disparos e encosta sua adaga em Carl, entre as vértebras e a clavícula, gerando um ruído seco, fazendo o mafioso contorcer todos os músculos de dor.

– Se eu retirar a adaga você vai sangrar até morrer, e melhor me dizer os nomes, rápido! – o estranho fala com uma calma serena passando a mão pela cabeça de Carl num gesto de “carinho”.

Carl com os olhos revirados, responde num sussurro doloroso.

– Henry e Marco Cruciollo. Por favor não me mate, eu nunca mais…

A frase é interrompida pela rápida estocada e remoção da adaga, fazendo um jato de sangue esguichar na parede, Carl cai no chão já sem voz.

Emily caminha em direção ao quarto de seu cliente. Ela deixa a calcinha no meio do caminho e caminha nua pela casa, pois sabe que Carl não liga para preliminares. Ela esta pronta para a noitada, não que esteja afim, mas o dinheiro de Carl lhe dá o tesão necessário para o serviço ser bem feito. Ela prepara o andar sensual que todo homem adora e entra no corredor rebolando levemente, mas para abruptamente com a cena que vê: Um homem de preto de sobretudo caminha em sua direção carregando na mão uma adaga ensangüentada. Atrás dele o corpo de Carl jaz perfurado no chão. Ela se encosta na parede e o assassino para de frente a ela.

– Por favor – o coração parece bater mais alto que os coturnos do assassino no assoalho de madeira – Não me mate… – a frase é interrompida por um leve beijo que ele dá nos lábios dela.

O assassino limpa a adaga e sai fechando a janela normalmente. Depois de descer as escadas externas ele pega a moto e sai tranquilamente pela noite, em sua mente nada de remorso ou flash’s, em sua mente apenas dois nomes que ele conhece muito bem…

Emily ainda sentada no corredor, se recupera do susto. Limpa as coxas com nojo e prepara suas roupas para sair dali rapidamente. Se a polícia chegar lá, ela sabe o que vai acontecer: uma noite sendo espancada na cadeia para confessar algo que não fez, para os tiras é mais fácil condenar alguém que está ao seu alcance do que procurar um assassino sem nome pela noite. Antes que consiga pegar sua jaqueta as sirenes tocam na rua lá em baixo. Ela olha para a janela e vê a viatura parada do lado do prédio, um policial com um rádio nas mão procura algum vestígio na escada, provavelmente alguém viu o estranho invadir o apartamento pela janela. Ela corre em busca de suas roupas e vai em direção a porta, mas a campainha toca antes que ela chegue na cozinha. Emily maldiz sua sorte, relaxa e respira fundo, joga a jaqueta na cadeira ao lado e parte para atender a campainha toda sexy, esta noite ela vai trabalhar de graça, e ela odeia isso!

 

 

 

– O que raios seria uma moto??? – perguntou Rafidick, dando voz a dúvida de todos na taverna

O estranho os encarou por um tempo.

-É um tipo de cavalo – respondeu!

Italo
Graduando em Biologia pelo amor às variadas formas de vida e suas estratégias de sobrevivência, tenho prazeres simples como ouvir a chuva ou observar o céu noturno. Fã de música, filmes e jogos em geral, minhas maiores viagens são pelas folhas de um bom livro.
  • Neto

    Excelente. Padrão Italo xD

Parceiros

Video em Destaque

Nintendo Switch