Menu

WAR: in game perca o amigo, mas não perca o continente!

Quem nunca, como defensor, se deliciou ao ver os números: ‘um, um e um’ como resultado na rolagem de dados do coleguinha? Quem nunca tentou convencer o ‘amigo’ que te atacar não é uma boa opção já que o exército verde está mais forte?

Ou quem nunca colocou apenas um exército na fronteira do continente como prova de fidelidade a uma aliança estabelecida? Claro que, na rodada seguinte essa fronteira recebia reforços… Mas é só porque são exércitos extras da totalidade do continente e é obrigatória sua distribuição senão, nem seriam colocados ali… E esses outros exércitos aqui são dessa troca de cartas, não que eu duvide de você… É só para garantir a defesa, nunca se sabe né? (Silêncio) Me passa os dados os vermelhos?

Com certeza você já deve ter jogado War ou, ao menos, ouvido falar desse clássico dos jogos de tabuleiro. Baseado no Risk, (jogo americano lançado no final da década de 50) War foi lançado no Brasil em 1972 pela Grow e hoje, além de ser um dos meus jogos preferidos, indiscutivelmente é um dos board games mais populares do país. Existem algumas versões de War com variações de regras como War II, War Jr., War: Império Romano e etc, entretanto nesse texto nos limitaremos ao War clássico.

Muitos já me perguntaram se War é um jogo para a família brasileira. Em minha opinião sim, até porque a atmosfera não se difere muito da atmosfera de uma partilha de herança… Brincadeiras a parte, ou não, de fato War pode sim ser um jogo para a família e para turma de amigos apesar de muitos acharem que a dinâmica e a competitividade exigida pode dilacerar os laços de afetividade entre as pessoas.

E inegável que War estimula e exige dos participantes um nível de competitividade alto, ainda mais na hora que o burrái memo do pipoco come no pé do ouvido, porém não poderíamos esperar menos de um jogo com esse nome e temática. A meu ver, esse grau de rivalidade é seu ponto forte e a ausência dele tornaria o jogo chocho e praticamente sem propósito. Prova disso é a apatia que surge e se intensifica a medida que a camaradagem começa a aparecer:

– Ah, nem vou atacar Fulano porque ele sempre apela…

– Amooorrrrr, não me ataca não! Ai brigada te amo!

P@##a amigo sem essa! Is this War!

O jogo exige a filhadap*%@g&m! É inerente a ele, ainda mais quando se pega um objetivo como: Destrua os exércitos do coleguinha. É natural que dentro do jogo alguém em algum momento apele com certa jogada, se sinta injustiçado ou até mesmo dê rage, mas não vejo problema nisso desde que não sejam ultrapassados os limites postos pelo coletivo de jogadores e se restrinja ao espaço de jogo. De resto, desejo a todas inimigas vida longa =*.

Sobre o sistema de regras de War podemos considerá-lo bem simples e apesar de parecer, em um primeiro momento, um jogo baseado unicamente no fator sorte uma boa dose de estratégia é fundamental para quem desejar sair vencedor nessa história toda. O jogador para obter a vitória deve cumprir com seu objetivo, sorteado anteriormente aos participantes, por meio de controle de território e, claro, muita falácia, mas abordaremos a questão da falácia mais adiante.

Antes de falarmos de outros pontos, vale dar atenção para a dica mais importante, e mais óbvia, para você que deseja ser o mito da galera no War e o principal foco da turma, afinal nem tudo são flores: conhecer bem todo o jogo. Não se limite a estudar apenas o sistema de regras, procure analisar o mapa, os objetivos, os dados mais zica e etc. Como esse texto não tem como intuito ser um tutorial, até porque já existe o manual, segue o link do arquivo para upload caso queira aprimorar seu estudo militar: <http://www.grow.com.br/uploads/p185601alh15441mm1q3q1mjn1j011.pdf>.

 

Agora falemos de algumas táticas e elementos pontuais que podem te auxiliar em uma partida.

 

– Sempre conquiste territórios
A quantidade de territórios sobre seu controle determina a quantidade de exércitos a que você tem direito a cada rodada, então sempre que possível conquiste-os. Com isso, além de aumentar seu império, você sempre conseguirá cartas que mais a frente poderão lhe render bom exércitos! Mas cuidado, evite criar muitas frentes de batalha e não realize ataques de maneira aleatória. Às vezes tomar uma atitude ao estilo all win e necessária, porém avalie bem as possibilidades de resultado e certifique-se que essa é a única possibilidade no momento já que geralmente nesse tipo de estratégia as chances de fracasso são maiores que as de sucesso.

– Segure suas cartas de troca o máximo que puder
As trocas de cartas por exércitos são cumulativas no jogo, por exemplo, o primeiro jogador a efetuar uma troca durante a partida recebe 4 exércitos; o segundo que efetuar uma troca recebe 6; o terceiro 8 e assim sucessivamente. A troca seguinte sempre proporcionará uma maior quantidade de exércitos. Observe que a seqüência não obedece às trocas individuais, mas a todas as trocas ocorridas no jogo, sendo assim, em muitos momentos vale segurar suas cartas para efetuá-la após seus oponentes. Claro, que essa tática deve ser utilizada com cuidado, pois em alguns casos é primordial que realize sua troca imediatamente seja para prevenir um ataque ou se aproveitar de alguma brecha aberta no mapa.

– A totalidade de continentes
Sempre que possível conquiste continentes mesmo que eles não estejam diretamente ligados aos seus objetivos. Além de servir como um ponto de concentração de forças a totalidade de um continente permite que você ganhe exércitos extras toda rodada e em War quanto mais exércitos melhor. Da mesma forma, impedir que adversários conquistem ou mantenham continentes é importante para enfraquecê-los.

– A falácia
Blefe e utilize toda sua malemolência com as palavras. Isso se faz necessário em muitas situações como, por exemplo, esconder seu verdadeiro objetivo, convencer o coleguinha que atacá-lo naquele momento pode não ser uma boa estratégia e até mesmo para construir alianças momentâneas. O status quo no jogo se modifica com freqüência, parcerias são feitas, desfeitas e refeitas a todo o momento para manter certo equilibro na partida, então esteja atento e seja sagaz, pois a corda pode arrebentar para qualquer um dos lados.

– Evite confrontos diretos
Evite confrontos diretos com oponentes específicos, principalmente no começo do jogo, mesmo que seu objetivo seja destruí-lo. Essa tática é arriscada, pode enfraquecer seu oponente, mas também pode te deixar vulnerável aos outros jogadores. Além disso, certa persistência em atacar um jogador ou continente específico pode revelar seu objetivo aos outros participantes e eles poderão te neutralizar com maior facilidade.

– O mundo não termina em Vladivostok
Se atente ao mapa, alguns territórios possuem muitas fronteiras e podem ser ótimas opções para ataques a várias regiões, porém ao mesmo tempo são alvos fáceis e podem ser açoitados por diversas frentes.
Ainda sobre territórios uma dica importante. A princípio pode parecer não ter uma fundamentação muito lógica e substancial, todavia tem sua validade: pense duas vezes antes de atacar territórios como Oriente Médio, Moscou e Madagascar e caso realmente necessite deles, previna-se e utilize todos os exércitos que tiver a disposição para essa empreitada. São territórios dotados de uma treta maligna que por algum motivo ainda desconhecido oferecem uma resistência além do comum.
Uma possível explicação para tanta dificuldade em conquistar e manter esses territórios pode estar relacionado ao seu histórico militar. Muitos fatos da história da humanidade comprovam que as regiões demarcadas no mapa do jogo como Oriente Médio e Moscou tem por excelência uma tradição de confrontos bélicos e acredito que isso de alguma forma esteja presente de maneira metafísica no jogo. Sobre Madagascar ainda não levantei muitas possibilidades, mas entre minha turma de amigos ela é mais conhecida como Ilha Jedi.

– A defesa pode ser o melhor ataque
Lembre-se, a defesa tem a vantagem do empate sobre o atacante, então às vezes aquela provocação básica do tipo, ‘- Eu duvido que você ataque’. ‘– Vem, bate mesmo…’, pode ser válida. Tentar desestabilizar o oponente pode ser um caminho para confundi-lo e tirá-lo do foco de sua estratégia. Contudo evite o exagero, ele pode entrar em um modo berseker e te marcar pelo restante da partida. Morde e assopre!

– Enxergue o mapa
E por último, nunca perca a noção do todo. Analise com atenção as jogadas de todos os oponentes e tente antecipar seus passos sempre que possível. Saiba quando ajudar e atrapalhar seus oponentes e esteja atento aquele jogador que come pelas beiradas…

 

Bom jogo a todos e toda sorte do mundo a vocês, a menos, claro, que eu estiver participando da partida. 😉

 

Welerson Filho (Amakir)
Graduado em Teatro por influência do RPG e fanático por cards e board games. Canhoto e de espírito competitivo tem dificuldade com jogos cooperativos. Amante do gênero literário/cinematográfico fantástico acha a realidade um porre.
  • Vinicius Trovó

    É um jogo muito bom, mas infelizmente muitos cospem no prato que comem ao dizer que War é uma cópia mal feita de Risk, pois os mesmos se esquecem das horas de diversão que passaram jogando tal jogo.A maioria reclama que a defesa no War tem vantagem pois usa 3 dados amarelos já no Risk não pois só usam 2.Eu acho uma babaquice, até porque, quem se defende se expõe menos ao desgaste!

Parceiros

Video em Destaque

Nintendo Switch